Arquitetura

Estilo Arquitetônico

O estilo arquitetônico sambentista é predominante o uso do pau-a-pique, telhado de quatro e duas águas, telha de canal, simetria na disposição das portas e janelas.

O uso freqüente do pau-a-pique deveu-se à grande quantidade de madeiras próprias para esse tipo de construção, facilmente encontradas nas matas: sapucaia, sucupira, pau-ferro, canela preta e outras. O emprego de pedras para os alicerces também foi usada em algumas residências, principalmente nas casas de fazendas.

As paredes mediam de 18 a 25 centímetros de espessura, sendo os esteios e o madeiramento do telhado em madeira roliça. As ripas amarradas com correias de couro, cipós ou pregadas.

Nas residências mais ricas havia papel de parede, nas outras, cal e tabatinga. A taipa de pilão foi muito usada na construção de muros, não se encontrando referências sobre casas de taipa, salvo a Igreja Matriz. Segundo o livro do Tombo da paróquia o muro do cemitério era feito de taipa, mas acabou-se com o tempo.

A zona urbana surgiu ao redor da Igreja matriz primitiva, construída a partir de 1828, mas não foi de forma desordenada. O Código de Posturas Municipais continha as leis regulamentares para as construções e abertura das ruas. Assim, encontramos no Código de Posturas da Câmara Municipal promulgado pela Lei nº 19, de 17 de abril de 1895, em seu artigo 6º, o seguinte:

"Terão 4 e ½ metros de altura sendo térreos e mais 4, sendo sobrados, os prédios construídos dentro da Cidade ou outra povoação do município, devendo as respectivas portas e janellas ser dispostas symetricamente e abrir-se para dentro."

Quanto à disposição das ruas:

"Todas as ruas e travessas que forem abertas dentro dos perímetros da cidade e das povoações, terão a largura – as primeiras, de 12 metros, e as segundas – de 7 metros, observando-se quando possível, na abertura de umas e de outras, as linhas rectas e parallellas. Poderão também ser abertos largos ou praças, que deverão ser espaçosos e trabalhados em ângulos rectos, permitindo-o a topografia do terreno" (artigo1).

O artigo 11, diz que todos os prédios situados na cidade e nas ruas principais das outras povoações do município deverão ter suas frentes calçadas com pedras ou cimento, e os moradores eram obrigados a pintar (caiar) as frentes de sua casa ao menos uma vez por ano, de maio a setembro.

Em 1929, encontramos novas leis regulamentando a construção de casas, dispondo sobre a posição de cada cômodo e o tamanho do mesmo, disposição de portas e janelas e a largura das paredes, entre outras normas.

As paredes deveriam ser construídas com materiais que oferecessem segurança e condições de higiene, isoladas do alicerce por placas de asfalto, ou duas fiadas de tijolos, assentados com argamassa forte de cimento, com largura mínima de 30 centímetros.

Os dormitórios, sala de visita ou de refeições e escritório, teriam uma área mínima de 10m quadrados. A cozinha não se comunicaria diretamente com os dormitórios e latrinas.O piso ladrilhado e a face interna das paredes revestidas até 1 1/2m, com material resistente, liso e impermeável e com ares de 7m quadrados.

As escadas, quando houvessem, teriam 80 centímetros de largura e a altura dos degraus de maneira a assegurar fácil acesso a segurança, valendo também para a largura dos mesmos.

A altura das paredes seguia a metragem antiga. Há casos em que se cumpria a lei apenas para as paredes externas, sendo as internas de pau-a-pique.

Arquitetura Rural

Se na cidade e povoações as leis impunham normas para a construção das moradias, na zona rural, habitat do roceiro, tudo acontecia de acordo com a necessidade e a condição de cada família. As casas não obedeciam a nenhuma norma. Predominou o pau-a-pique e a cobertura de sapé para os menos favorecidos e telha de canal para os de melhor poder aquisitivo.

Usavam nas paredes uma mistura de terra e estrume de vaca para o reboco e a tabatinga para a pintura. Piso era de chão batido com buracos e declives. Telhados baixos por causa das paredes. Aos poucos o sapé foi substituído pela telha de canal e as paredes ganharam mais altura.

Arquitetura Religiosa

A Igreja, por mais modesta que fosse, representava a construção mais importante de qualquer aglomerado humano e em torno dela surgiram os bairros e a cidade. Segundo exigência de Roma, o templo principal, a igreja Matriz, deveria ter uma construção duradoura, como medida de economia para o bispado e a população.

Diz o Livro do Tombo que por volta de 1820 a 1822, mais ou menos, o Tenente José Pereira Alvares doou terras para construção da primeira igreja. O Padre Justino Velho Columbreiro foi trazido de Pindamonhangaba para benzer o local. A igreja seria dedicada a Nossa Senhora do Rosário, mas não deu certo por questões de limites de território. Anos mais tarde os moradores fizeram um abaixo-assinado para levantarem uma capela em louvor a São Bento. A capela foi levantada num morro chamado "Palmeiras", e para cá transladaram a imagem de São Bento que se encontrava na capela de Guarda Velha, próximo a Sapucaí Mirim. E a paróquia se instalou no dia 3 de fevereiro de 1828.

Por volta de 1840 a Freguesia recebeu a visita dos padres Capuchinhos, Frei Antonio Arcanjo, Frei Francisco e Frei Eugênio Maria de Genova, para as primeiras missões na paróquia. Este último, ficou encantado com o lugar e disse sobre a importância de se construir um templo maior, assim tendo a frente o Padre Pedro Nolasco César. Elaborou-se um extenso estatuto com 17 artigos, onde a comissão se obrigava a edificar o templo a todo custo, mesmo que durante o trabalho morresse ou retirasse metade ou mais de seus membros. Nela também se especificava a arquitetura a ser erguida e que não poderia ser mudada em hipótese alguma.

Foi construída em taipa de pilão, trabalho esse feito pelos escravos das fazendas. As paredes da nova igreja Matriz foram construídas por fora da antiga capela, de modo que esta só foi demolida depois de coberta a nova.

Segundo o livro do Tombo, a torre central foi construída em 1906, pelo Padre Francisco Reale. Em 1916 , foram construídas as laterais, os altares, decoradas as paredes internas, ladrilhado o piso e feitas as novas instalações elétricas, pelos padres Carmelitas, tudo às custas dos fiéis. O telhado foi trocado por telhas francesas em 1956.