Artistas

Nico Ferreira

Antonio Ferreira dos Santos , mais conhecido como Nico Ferreira, nasceu em Campos do Jordão em 1970. Na época não havia maternidade em São Bento do Sapucaí, apenas parteiras, por isso a maioria das mulheres tinham filhos naquela cidade. Já foi ciclista, fotógrafo, escritor, e a 4 anos se tornou mosaicista. É apreciador de artistas como Monet e Gaudi. Admira lugares com arquitetura antiga, como regiões de Paraty, Ouro Preto, circuito Mineiro, Veneza, e se diverte dizendo que nasceu no tempo errado, pois esses são os cenários inspiradores de sua arte.

Realizado como artista, cria suas peças e deixa sua imaginação tomar forma em belíssimos vasos, porta-chaves, quadros. Todas suas obras podem ser vistas em seu ateliê na Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 143 no centro da cidade em São Bento do Sapucaí.

É criador de todos os desenhos de suas obras, mas pode fazer a releitura de artistas caso receba alguma encomenda. Se intitula um apaixonado por azulejos coloridos, e cita os portugueses que possuem riquezas de detalhes.

A primeira peça que confeccionou foi no piso de num banheiro, embora não pudesse investir nele em matéria de criação, gostou muito da experiência. Depois disso fez nascer várias outras peças em que pode colocar sua criatividade à tona, tanto que atualmente nem lembra quantas já criou.

Em média faz de 10 a 15 peças por semana, mas o número depende do tamanho das mesmas. Trabalhos menores fazem 2 por dia, como porta-chaves e placas com números de casa, mas já placas maiores levam 15 dias para serem confeccionadas. E nesse caso reforços são utilizados, para aguentarem o peso da obra acabada, na hora da fixação utilizam 3 pontos e parafusos mais robustos.

Existem peças que são mais procuradas em seu ateliê, como os números de casa e espelhos decorados com mosaico. Nico fica apaixonado pelos trabalhos, alguns mais outros menos, mas cada experiência é única pra ele. Um em destaque é um quadro que fez onde as águas do mar refletem a cidade, mostrando duas imagens, particularidade esta que nunca havia visto em um trabalho de mosaico.

Apesar de desenhar flores, acha que só ficam próximas da realidade quando possuem pétalas, pois a flores mais exóticas tipo orquídea, são difíceis parecerem uma flor usando os artifícios do mosaico.

Gosta de criar peças que necessariamente não são apenas feitas com mosaico quebrado, embora seja seu preferido. Usa azulejos cortados em "fitas" ou mesmo em forma de pastilhas. Segundo, Dani (que junto com Diego confeccionam as peças com Nico) a forma reta dificulta mais para contornar o desenho e não permite a mobilidade que o mosaico quebrado proporciona. Portanto são trabalhos mais difíceis, pois as suas formas tem que ser seguidas e respeitadas, enquanto que o quebrado dá liberdade para fazer o que quiser.

O trabalho com os azulejos em fitas, é uma "brincadeira" criada por Nico para que as pessoas possam ver outras maneiras de se confeccionar um mosaico, uma diversidade de formas que marcam particularidades de cada peça. Todas suas obras intituladas "Rio de janeiro" participarão de uma exposição.

Trabalho em tiras

Nas tiras que está usando para confeccionar seu trabalho sobre o Rio de Janeiro, as curvas que desenha são recortadas na própria tira, já que não se pode fugir do formato reto do azulejo.

Trabalho imitando pastilhas

Segundo Nico, o mosaico quebrado não há preocupação com o formato da peça, se tem mais liberdade, comparado aos formatos de pastilha e fita. O uso do tipo de forma que vai ser usado, se quebrado ou cortado é determinado antes da criação do desenho. Disse que não gosta de quadradinhos, e brinca que parecem ponto-cruz de tricô.

O azulejo quebrado é a essência do mosaico e é o que mais gosta. Há impressão que reciclou, reaproveitou. O trabalho do mosaico é meticuloso e demorado , segundo ele "de monge". E criou uma frase que explica esse contexto: "MOSAICO É A ARTE DO ACASO, SEM SER". Disse que parece que os cacos são colocados por acaso em um determinado lugar, mas que não é assim, são feitos para preencher um determinado espaço. É uma arte totalmente planejada, estudada e pensada.

Qualquer material pode fazer parte de um trabalho desse: botão,conchas, canudo, pedras, tampinhas, prendedor de cabelo, materiais recicláveis em geral. Acredita que essa diversidade de materiais criam trabalhos interessantes, embora acabe dificultando para compor uma imagem, a vezes resultando em peças feias a seu ver. E ele procura resultados bonitos então prefere trabalhar apenas com azulejos e espelhos.

Nico diz que o mosaico existe em qualquer lugar. Em plantações como na Bolívia, no Peru, Vietnã, onde as cores determinam limite e formam desenhos ele existe, que a própria Terra é um mosaico de cores e os continentes não deixam de ser formas que se encaixam. São fragmentos que formam uma unidade.

Com a prática, só de olhar para o trabalho já sabem quanto tempo irá demorar para termina-lo. O orçamento é baseado no metro quadrado, independente do grau de dificuldade. Mas se a peça é feita fora de São Bento tem-se que colocar no orçamento hotel, alimentação, passagem.

Com sua experiência arrisca numa dica para quem esteja começando e diz: "TEM QUE ACREDITAR EM SI MESMO PARA FAZER QUALQUER TIPO DE TRABALHO". Quando a pessoa realmente quer, as coisas acontecem e cita a frase "O CAMINHO NÃO EXISTE, PASSA EXISTIR QUANDO SE COMEÇA A ANDAR". O que é certo e bom para uns, pode não ser para a outra pessoa, não há receita. Dificuldade sempre existirá. E argumenta: " O DIFÍCIL A GENTE VALORIZA MAIS, E O QUE VEM FÁCIL VAI FÁCIL. CADA UM DESCOBRE O QUE É BOM, DESCOBRE SEU PRÓPRIO CAMINHO. A PALAVRA CHAVE É ACREDITAR E TRABALHAR."

Conclui dizendo que no ramo da arte em geral, na música, pintura e cinema por exemplo, os artistas acham que o melhor esta por vir, nunca estão satisfeitos, buscam sempre melhorar, é uma evolução.

E ele não é diferente dos demais artistas, afinal acredita que o melhor é o que ainda irá fazer. Depois de pronta a peça é olhada com seu olhar crítico, onde poderia ter feito um detalhe melhor e diferente. E cada uma reflete o seu estado de espírito do momento.

Não há peça especial, ela ainda vai nascer. O sentimento do artista se manifesta no trabalho dele seja qual for, como a Aquarela do Toquinho por exemplo, onde se nota a sensibilidade na obra.