Cooperativa

(Acervo Manoel Coutinho – Folheto COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE SÃO BENTO DO SAPUCAÍ – 56 ANOS DE HISTÓRIA /1940-1996)
Fonte Livreto: COOPERATIVA agropecuária de São Bento do Sapucaí – 56 anos de história (1940-1996)
Origens

Em 1940 era época da Segunda Guerra Mundial e foi marcada pelo rápido crescimento da população urbana. Nessa época São Bento tinha 20.000 hab. (abrangendo Candelária, Campos e Santo Antônio do Pinhal), e tinha 188 anos de existência. Nesse mesmo ano nasce a Cooperativa na cidade.

Empreendimento

Em 14 de janeiro de 1940 reuniram-se 18 fazendeiros para constituir uma sociedade cooperativa ligada a agropecuária leiteira. Ao final dela estava criada a COOPERATIVA DE LATICÍNIOS DE SÃO BENTO DO SAPUCAÍ LTDA e definiu-se o local da sede e área de atuação. O primeiro Presidente foi Antonio da Costa Manso.

Tinha como princípios: "unir os criadores de vacas leiteiras da zona de operações da sociedade, promover a defesa de seus interesses econômicos e, beneficiar e vender em comum a produção de leite de seus rebanhos, assim como adquirir por conta dos mesmos artigos e materiais necessários à indústria de criação". Para alcançar as metas, a sociedade impunha-se "instalar, comprar ou arrendar usina para tratamento do leite de acordo com as mais modernas técnicas sanitárias, organizar serviços de transporte das fazendas até à usina ou postos de recepção, melhorar e fomentar tecnicamente a produção de leite e seus derivados de acordo com os métodos científicos modernos".

Havendo excesso do produto, previa-se a fabricação de quaisquer produtos laticínios depois de supridos os mercados em que a sociedade se propõe a fazer distribuição.

Tempos difíceis

O terreno da sede foi doado por Cândido Rodrigues Salgado. No começo recebia o leite em latões de seus associados. Na época de chuvas os caminhões podiam atolar ou encalhar. No inverno era a neblina que retardava a viagem e azedava o leite.

Acreditando

Homens do campo e muito determinados para negócios que acreditaram na melhora da qualidade dos rebanhos e aumento da produtividade, isso tudo alimentou o empreendimento e permitiu que ele vingasse.

De São Bento para São Paulo

Na década de 50 São Paulo se firmava como maior centro urbano e econômico do Brasil, assim era um chamariz pra quem queria emprego e instalar seus negócios. Assim São Bento também se sentiu atraída por essa força e os dirigentes da Cooperativa para abrir caminho em direção a esse mercado promissor.

Com a Central – Em 1950 fez-se a apresentação formal da Cooperativa de São Bento aos dirigentes da Central de laticínios do Estado de São Paulo. O destino final da produção da Cooperativa de São Bento seria São Paulo, além disso havia grandes possibilidades de aumentar o volume da produção devido ao mercado consumidor, antecipação de pagamentos e compras de máquinas e suprimentos. Marcando um período de modernidade.

Assim todo o sistema de resfriamento foi renovado com novos compressores e máquinas, mais eficientes e de maior capacidade (11.000l/dia). O leite recebido pelos associados passou a ser recebido e classificado com maior rigor depois da Instalação do Laboratório de Análise. E caminhões dotados com tanques isotérmicos melhorou muito o transporte de leite e sua conservação.

Para sustentar tudo isso os diretores convenciam os associados a cuidarem melhor de seus animais, e facilitavam a eles a aquisição de remédios, latões, insumos e utensílios.

Consolidação

A desclassificação do leite em São Paulo ocorria mais que o esperado, produtores descontentes com os preços do leite acabavam abandonando a produção e pegando muitos adiantamentos. Mas na dec. de 60 o número de cooperados aumentou como também a produção. Os dirigentes eram muito esforçados em aumentar a atuação da Cooperativa e garantir uma coleta de leite maior e mais estável e sua consolidação foi inevitável.

Comércio

A produção leiteira era grande, havia um tanque de 12.000l para a carreta que ia pra São Paulo em 1971 e com o aumento dos associados os dirigentes decidiram melhorar a estrutura de atendimento e de serviços aos cooperados. Assim criaram o supermercado nas antigas instalações do almoxarifado, e um auto-posto do outro lado da rua.

Leite B

A sua produção foi o maior avanço da Cooperativa, pois era uma tendência de outras regiões e São Bento não poderia ficar de fora dessa modernidade. Com alguns investimentos, orientações e compra de gado holandês não demorou muito para que a Cooperativa tivesse 25% da sua produção voltada para o leite B, isso nos anos 70, e nos anos 80 foi para 45%.

Veterinária

Em 1978 a Cooperativa contratou um veterinário recém-formado que fica permanentemente no local, dando toda assistência aos animais.

Geada e recessão

No final da década de 70 o governo mineiro tomou uma medida que pegou a Cooperativa de surpresa criando um impasse fiscal: todo leite coletado em MG passou a ser tributado com o ICM, gerando um grande débito para a Cooperativa, que se viu ameaçada de penhora de bens e até falência. O impasse foi superado através de acordo entre os governos mineiro e paulista. No mesmo ano houve uma geada histórica que liquidou com as pastagens e plantações de São Bento, despencando a produção leiteira.

A década de 80 foi de recessão, desemprego e alta inflação. Mas entre 1980 e 1982 a sociedade teve ajuda da Central para se reorganizar e surgiu espaço para investimentos modestos e para campanhas de incentivo aos cooperadores para superar a produção afetada com a geada.

Novos Estatutos

Em 1986 aprovou-se uma reforma dos estatutos pela qual a razão social passou a ser Cooperativa Agro-Pecuária de São Bento do Sapucaí Ltda. "No capítulo dos OBJETIVOS SOCIAIS, criadores de vacas leiteiras eram substituídos por produtores agropecuaristas e os laticínios pela produção agropecuária."

Com a COOPER

Em julho de 1989 A Cooperativa se desliga da Cooperativa Central e se filia a Cooperativa de São José dos Campos, a Cooper.

GABEN

A festa da GABEN tornou-se um evento de grande repercussão em São Bento e cidades vizinhas, de grande prestígio entre os produtores de leite e pecuaristas em geral.

Ao longo dos anos 80 a Cooperativa manteve-se em declínio sobretudo quanto a atividade leiteira, pois muitos cooperados deixaram a sociedade. Além da produção de rebanhos que continuava baixa (devido a baixa qualidade genética, praticas superadas quanto a manejo, cuidado sanitário, alimentação...) A Cooperativa perdeu espaço frente a concorrentes mais poderosos.

Ideia Antiga

Numa ata de fevereiro de 1944 um cooperado pediu a palavra "propoz que fosse industrializado o produto que vem sendo entregue à Cooperativa, o que, posto em discussão, ficou deliberado que aguardasse essa resolução de abril próximo em diante, em cuja ocasião será convocada uma nova assembléia geral". Veio abril, mas não veio a resolução prometida.

Na verdade essa antiga idéia de industrializar o próprio leite e vender laticínios manufaturados esteve sempre presente nos propósitos da Cooperativa e na mente dos cooperados.

Solução Nova

A industrialização do leite era o caminho a ser tomado. Para isso foi feito contato com BNDS para financiamento do projeto através do sistema FINAME. Em paralelo fez-se o desligamento com a COOPER. Os produtos Colina passam a ser vendidos sem São Bento, Campos do Jordão e cidades do Vale do Paraíba e sul de Minas.