Costumes

Procissões

São manifestações do sentimento religioso do povo que, em princípio, servem para excitar a piedade dos fiéis, louvar a Deus, dar-lhe graças e pedir sua proteção. São feitas desde os primeiros séculos do Cristianismo.
É um momento para pagar promessas. Era muito comum ver pessoas vestidas com camisolas rústicas, chamadas "mortalhas", levando velas e outros objetos, crianças vestidas de anjos ou de algum santo, cumprindo promessas.

( a foto ao lado: Procissão provavelmente da década de 60 - Festa de Nossa Senhora dos Remédios Foto: acervo Manoel Coutinho)

Batizado

Após o nascimento do bebê, a maior preocupação dos pais era batizá-lo o quanto antes. A criança pagã em casa atraia o Lobisomem, corria o risco de morrer e não ir para o céu e obrigava-os a dormir com a luz acesa por causa das crendices.

Escolhiam os padrinhos e marcavam logo a data do batizado. Se acontecia da criança adoecer, levavam-na correndo para o padre batizar, independente da hora, do dia e das condições do tempo.

As famílias antigas possuíam uma camisola branca comprida que passava de um filho para o outro ou dentro da mesma família. Esse costume se perdeu depois que os padrinhos passaram a dar a roupa do batizado ao bebê.

Casamento

Entre a elite antiga, o casamento constituía um acontecimento social, uma ocasião para reunir a nata da sociedade representada pelos fazendeiros e agricultores mais abastados da região, em jantares seguidos de suntuosos bailes onde todos se vestiam com esmero.

Quanto à noiva, o traje espelhava suas posses; rendas, sedas, tafetás e cetim eram os tecidos mais comuns. O véu longo, de filó, e a grinalda de flores de laranjeira, naturais ou artificiais, completavam o traje nupcial. O noivo usava terno escuro, preto ou azul marinho, gravata, lenço ou flores na lapela, conforme os usos da época, também o chapéu combinando com o conjunto, ou ainda a casaca preta e calças justas, camisas brancas e colete preto.

Os pais da noiva bancavam a festa, ou então, o padrinho, quando esta não tinha muitos recursos. Os padrinhos eram escolhidos entre os mais conceituados na cidade ou de maior consideração pelas famílias. Apenas o homem (padrinho) assinava o livro de casamento.

Os recém casados tinham lugar de destaque no almoço ou jantar de casamento. Dormiam na casa dos pais da noiva no dia do casamento, em quartos separados; e somente no dia seguinte iam para o novo lar.

Era costume em São Bento soltar foguetes para o casamento.

Casamento da Zona Rural

Dependendo do local, os noivos vinham à cavalo ou de carro de bois. Procuravam a casa de algum parente ou conhecido para se vestir. Para a igreja iam a pé mesmo.

Após a cerimônia religiosa e os cumprimentos, os noivos trocavam de roupa no mesmo lugar de antes e voltavam para a casa da noiva, em trajes comuns, unindo-se os dois cortejos.

Na casa da noiva, tornavam a vestir os trajes nupciais para o jantar. A mesa era enfeitada com arco de bambu, demarcando o lugar dos noivos. Serviam macarrão, frango, arroz, feijão, leitoa ou carne de porco conservada em gordura. Vinho, aguardente ou ponches. Pagode, cantoria e até foguetório completavam a festa que avançava pela noite a dentro.

Crisma

Devido às dificuldades de transporte entre São Bento do Sapucaí e Taubaté, sede do bispado após a criação da diocese, a presença do Sr. Bispo na cidade era um acontecimento esporádico, revestido de muita solenidade, atraindo verdadeira multidão de pessoas vindas de toda parte do município a até outras cidades.

De acordo com o Pontifical Romano, o Bispo era recebido na entrada da cidade pelo clero, fiéis e banda de música, saudado por representante das associações religiosas, autoridades e políticos. Levado sob o pálio, seguia em procissão rumo à igreja Matriz.

Velório e Enterro

Quando uma pessoa estava muito doente, em perigo de morte, chamava-se o padre para dar-lhe a Extrema-Unção, ou para se confessar antes de morrer. Em se prolongando a agonia, chamavam-se os "rezadores" para fazer as orações que ajudam a morrer, ou ainda aplicava-se cataplasma (emplastro) de fubá, para que o moribundo tivesse forças para morrer. Na hora da morte, colocava-se uma vela na mão do agonizante para iluminar os caminhos da vida eterna.

Comprovada a morte, amigos e vizinhos reuniam-se para oferecer os seus préstimos. Na cidade, o padre ia buscar o corpo em casa, acompanhado pelo coroinha e um homem levando a cruz processional. Da casa do falecido saiam todos em procissão, rezando e cantando. O toque dos sinos era sempre festivo quando o morto era uma criança (chamado de anjinho).

Antes de ir para o cemitério, fazia-se uma parada na Igreja Matriz para a encomendação do corpo e, se o morto fosse uma pessoa ilustre ou ligado à igreja, celebrava-se missa de corpo presente.

No dia seguinte iniciava-se a novena pela alma do falecido. O luto fechado era o preto para os parentes próximos e o pré to e branco para os mais afastados. Durava um ano ou seis meses de luto fechado e seis meses em preto e branco. Os homens usavam camisa preta nos seis primeiros meses e tarja preta ou divisa nos outros seis. A tarja podia estar na manga da camisa ou no bolso, do lado esquerdo. Muitas viúvas usavam preto pelo resto da vida.

Celebrava-se missa de sétimo e trigésimo dias e no aniversário de falecimento.

Promessas e ex-votos

Quando se vêem em dificuldades, seja de que natureza for, os homens apelam para os santos. É um hábito muito comum entre os católicos. Consiste em orações, sacrifícios e oferta de objetos de uso pessoal ou não, fotografias e muitas outras formas. O cumprimento da promessa, ou seja, o objeto oferecido, chama-se ex-voto. Levar roupas, fotografias, mechas de cabelos, fitas, quadros e partes do corpo moldadas em cera, velas de todos os tamanhos, são apenas alguns dos ex-votos mais comuns nas igrejas, principalmente em Aparecida.

Nas diversas igrejas da cidade são encontrados esses objetos diante das imagens dos santos mais populares como Santo Expedito, Nossa Senhora Aparecida, Santa Rita, São Benedito e Santa Teresinha. Levar pedras ao Morro do Cruzeiro para pagar uma promessa foi por muito tempo um fato comum entre os sambentistas. Quanto maior a graça alcançada, maior a pedra.

O mesmo acontece nas Santas Cruzes de beira de estrada: aparece uma pedra, depois outra e, de repente, o número delas é enorme, sem contar os santos quebrados, terços arrebentados, fitas e outros objetos deixados pelo povo.

Tornou-se clássica em São Bento a visita da imagem da Imaculada Conceição, do Bairro do Quilombo, nos períodos de seca prolongada que podia prejudicar a plantação. Padre Pedro ia buscar a imagem que ficava na Igreja matriz e, durante a novena, a chuva chegava e a imagem voltava para sua capela.

Romarias

A peregrinação mais antiga entre os sambentistas diz respeito a Nossa Senhora Aparecida. Todos os anos, várias pessoas se reuniam para visitar a imagem milagrosa da Padroeira do Brasil, em Aparecida.

A viagem antigamente era feia á cavalo, era cansativa e demorada mas, a fé dos romeiros superava todas as dificuldades. Depois as romarias passaram a ser feitas em caminhões, com assentos de madeira que eram improvisados para essas ocasiões. Levavam de 30 a 40 pessoas, sem contar as crianças de colo.

Durante a viagem, cantavam e rezavam e davam vivas a Nossa Senhora .

Namoro e Noivado

Em tempos remotos, não havia namoro, pois o casamento era um acerto entre as famílias, quando ainda eram crianças. Muitas jovens só conheciam o noivo no dia do casamento, e casavam cedo até com 12 anos de idade.

Mais tarde, o namoro passou a ser aceito estando implícita a intenção de casamento no menor tempo possível. Namoro ou noivado prolongados deixavam a moça mal falada.
Noivado era compromisso de honra e, se desfeito, causava danos morais e a responsabilidade de indenizar a parte lesada pelas despesas de enxoval e mobiliário já comprados.

Com 14 ou 15 anos, as meninas já começavam a fazer seu enxoval.

Não se usava aliança durante o noivado. Comprava-se apenas para o dia do casamento. Na zona rural os casados raramente a usavam.

Visitas

Antigamente havia mais solidariedade entre as pessoas. As famílias se visitavam e se ajudavam mutuamente. Se uma pessoa adoecia, sempre tinha alguém para socorrê-la. Fazendo muitas vezes os serviços da casa se necessário fosse.

A mulher em dieta após dar a luz, sempre tinha alguém que a ajudasse a lavar a roupa, dar banho no bebê e ajudá-la com a casa.

Os amigos também se visitavam e sempre sentiam obrigação em retribuir a visita feita.

Nas casas mais afastadas sempre havia uma quitanda ou doces para essas ocasiões.

Com o surgimento da televisão, as famílias esqueceram esse hábito, o que permanece é o hábito de visitar a família por ocasião do nascimento dos filhos.

Uso do chapéu e paletó

O chapéu era peça complementar indispensável do vestuário masculino e os modelos variavam de acordo com a época e o gosto do usuário. Ficava na mão quando se falava com alguém de certa posição, senhoras e senhoritas, autoridades e ao entrar na casa de alguém, se a visita fosse rápida. Não se sentava à mesa com ele na cabeça e, mesmo na roça, à hora da comida, ficava de lado.

Um leve toque na aba, como se fosse retirá-lo da cabeça, ao cumprimentar uma pessoa, era sinal de boa educação e respeito. Os roceiros usam até hoje.

Na cidade, os homens usavam o paletó no dia a dia. Ninguém ia à igreja ou falar com alguma autoridade em manga de camisa. O fulano podia estar descalço mas nunca sem o paletó, na presença de juízes, promotores e delegados.

O traje domingueiro do caboclo incluía obrigatoriamente o paletó. Os moços desfilavam nas ruas os seus ternos, chapéus e cabelos brilhantinados, o que os tornavam muito elegantes.