Estrada Vital José de Barros

Através da Lei nº 1251, assinada pelo Presidente vereador Benedito Carlos Carvalho de Souza, no ano de 2006, foi denominada Estrada Vital José de Barros, conhecido popularmente como Fiico, a estrada no Bairro dos Serranos, com início após a Igreja da Sagrada Família à esquerda, até o limite no Bairro dos Pires com divisa com o município de Sapucaí Mirm - MG.

Vital José de Barros, mais conhecido como Fiico, era filho de Saturnino José de Barros (mais conhecido como Neném Barros) e Brazília Isabel dos Santos. Nasceu no Bairro dos Serranos no dia 6 de outubro de 1920.


Orfão de mãe aos 6 anos de idade sofreu muito com essa perda. Seu pai era viúvo e casou-se com Maria Luiza de Jesus com então 15 anos de idade. E ela passou a chamar Vital de Fiico, "pequeno filho", porque era muito franzino. Com Saturnino, Maria Luiza teve 13 filhos, e Vital ajudou a criar a maioria.


Vital chamava a madrasta de Mãe Maria, ele segurava a lamparina pra que ela pudesse remendar e costurar suas roupas e de seus irmãos, e também a ajudava a fazer farinha de mandioca, de milho e polvilho.
Na revolução de 32, Vital tinha 12 anos, e disse que foi a melhor época de sua vida. Seu pai era inspetor de quarteirão e sua casa era como um quartel general dos pracinhas, e isso pra ele era uma festa, pelo espírito de luta e pelos chocolates que ganhava dos militares.


Aos 23 anos foi atrás de café no Paraná, deixando sua família pra trás e sua namorada Maria Francisca, fez uma viagem demorada e após instalou-se em Cornélio Procópio. Mas a saudade apertava seu coração e acabou voltando pra São Bento do Sapucaí, casou-se com Maria Francisca, que era filha de Antonio Candinho e Dona Sinhana, e tiveram 8 filhos.


Seu pai, Saturnino, passou para Vital o cargo de inspetor de Quarteirão, exercendo o ofício com muito bom senso até quando a lei foi extinta. Sustentava sua família trabalhando com a enxada, também foi pedreiro e carpinteiro. Era muito querido, por seu caráter, paciência e carinho para com as pessoas e sendo assim era requisitado para ser padrinho de batismo, crisma e casamento. Quando acontecia algum falecimento ele era o primeiro a ser avisado, e ia até as famílias e transmitia conforto com suas sábias palavras. Vinha até a cidade e se encarregava de providenciar a documentação para o funeral.


Com o surgimento da Aposentadoria do trabalhador, muitos moradores, mais idosos, o procuravam para obter esclarecimentos. E começou a ajudar as pessoas do bairro reunindo os documentos e as acompanhava até o órgão competente em Pindamonhangaba. Todos conseguiram se aposentar. Muitas vezes Fiico pagava os gastos para a retirada dos documentos, viagem e até mesmo alimentação, sem nunca aceitar nada em troca.
Foi festeiro da Festa de São José em 1978 e como prenda, comprou o primeiro aparelho de som para a igreja. Tratava as crianças de modo carinhosos "tadinho do fiinho", "tadinha da fiinha".


Todos que iam a sua casa, mesmo que não fossem conhecidos, ele convidava para um cafezinho, oferecia bananas madurinhas e um delicioso queijo feito por sua esposa. Ele dizia: "Venha, tadinho, você deve estar com fome".
Quanto aos filhos, não intervinha muito na vida deles, mas dizia: "Um bom conselho valia mais que mil palmadas", tinha palavras sempre sábias, o que não era muito comum em sua época.


Amava a Deus e a família, sendo assim doou um terreno para construção da Igreja da Sagrada Família no Bairro do Serrano.


Após 52 anos de casados, Dona Maria partiu, então seu Fiico mudou-se para a cidade, porque não conseguia mais viver sozinho naquela casa, viveu um longo período de depressão e aparente resignação, acabou falecendo de repente no dia 23 de fevereiro de 2000, aos 79 anos de idade.