Festas Tradicionais de São Bento do Sapucaí

Festa de Nossa Senhora dos Remédios

A devoção em São Bento do Sapucaí teve início por volta de 1876 quando aqui estiveram em missões os Frades Capuchinhos. Um deles, Frei Caetano de Messina, com auxilio do povo, construiu a pequena Capela de Nossa Senhora dos Remédios, na parte baixa da cidade. 

Foi feita de pau a pique, tendo na frente o Cruzeiro das Missões, marco do importante acontecimento. Apesar das constantes inundações que assolavam a cidade e atingiam a capela, com alguns reparos e reformas a construção durou até o final da década de 60 quando foi demolida e, em seu lugar edificada a atual pelo Pe. Teófilo de Almeida Crestane.

A festa de Nossa Senhora dos Remédios realiza-se no dia 15 de agosto, dia da Assunção da Virgem aos céus, e também por tradição, pois foi no período de12 a29 de agosto de 1876 que a devoção foi aqui introduzida por Frei Caetano de Messina. É uma das mais tradicionais festas da cidade.

(De Isaura Aparecida de Lima e Silva – acervo da Câmara Municipal) 

 

Festa de São Benedito

Em São Bento do Sapucaí, a devoção ao santo conta com mais de um século. Diz o livro do Tombo quem em 1892 havia uma imagem de São Benedito conservada na igreja matriz, a espera da construção de sua capela. O Bispo de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, em despacho de Dezembro desse ano, autorizou a reconstrução da capela de Santa Cruz dizendo que a mesma passasse a denominar-se igreja de Santa Cruz e São Benedito considerando que o ato era de utilidade para o culto e manifesta devoção dos fiéis ao santo.

Embora a igreja celebre São Benedito no dia 5 de Outubro, sua festa ocorre na segunda-feira após o Domingo de Páscoa, em São Bento do Sapucaí, e em outras cidades.
A irmandade de São Benedito foi instituída no dia 8 de dezembro de 1897, pelo Padre Felipe Gavetosa. Tinha por finalidade socorrer os necessitados, principalmente os negros libertos. É a associação religiosa que congrega maior número de associados e sobreviveu à reforma ocorrida na igreja nos últimos tempos.

A festa de São Benedito é considerada a maior e a mais importante festa religiosa da cidade, atraindo verdadeira multidão de fiéis, visitantes e turistas.

Festa de Santo Antonio

A primeira imagem de São Antonio chegou a São Bento vindo da Itália, trazida pela senhora Maria Saveria Chiaradia. Sua capela foi construída pela família Chiaradia e a reforma ocorreu por volta de 1918, no paroquiato dos Carmelitas.

A irmandade de Santo Antonio foi instituída por iniciativa de Da. Benedita Caninéo e se manteve restrita a um pequeno grupo de associados.

A festa é tradicional na cidade e realiza-se no dia 13 de junho. Durante a missa benzem-se os pães que são distribuídos na procissão a todos os fiéis.

A origem desse ato não está ligado propriamente a Santo Antonio mas, a Ordem à que ele pertenceu no início de sua vida religiosa, ou seja, a agostiniana. É uma tradição muito antiga que teve início com São Nicolau de Tolentino. Narra a tradição que achando-se muito doente esse santo, apareceu-lhe a Virgem Maria e lhe disse para ir à casa de uma vizinha, pedir-lhe um pão tenro, ensopá-lo em água e come-lo; assim, teve sua saúde de volta logo que executou a ordem da Virgem.

Desde essa época, a ordem agostiniana passou a benzer os pães que são distribuídos aos fiéis. Guardam sempre um pedaço de um ano para o outro e fazem uso dele nas doenças e outras necessidades e em busca de alívio para seus males espirituais e materiais.

Festa de Santa Cruz

No Brasil, a devoção a Santa Cruz teve origem com os colonizadores portugueses e em São Bento do Sapucaí, provavelmente com os primeiros habitantes da região.

A mais antiga capela da qual se tem conhecimento ficava na parte baixa da cidade e foi construída pelo Padre João Evangelista Martins de Brito, que mais tarde, por volta de 1892, passou a denominar-se de São Benedito, tendo sido reformada e aumentada nessa ocasião.

A festa da Santa Cruz revestia-se de grande solenidade e consistia na reza do terço e outras orações devocionais, acompanhadas pelos cânticos costumeiros.

Os festeiros convidavam os "puxadores de terço" e nomeavam auxiliares que se encarregavam do mastro, uma vara comprida, pintada em todo o seu comprimento, que deveria ostentar a bandeira de pano branco, tendo estampada no centro uma cruz, emoldurada por sarrafos de madeira. Quem doava o mastro era chamado de "capitão do mastro" e a bandeira, de "alferes da bandeira". Havia o capitão dos fogos, que se encarregava dos foguetes e do foguetório. Antes da reza, o mastro era levantado sob o olhar atento dos presentes e os foguetes iluminavam os céus, assustando a platéia miúda e animando a molecada mais atirada a ir atrás de seus restos na tentativa de aproveitar alguma coisa para suas brincadeiras.

Tudo era feito com muita religiosidade e respeito. Os "rezadores" dividiam-se em dois grupos e o terço era um misto de reza e canto, mais cantado do que rezado. Ao fim dos oferecimentos e pedidos, cantava-se a 'Salve Rainha" em dois coros. Para finalizar, cantavam "Senhor Amado", um pedido de perdão a Deus, tido como reza forte, razão pela qual todos se ajoelhavam com os dois joelhos em terra, as mãos cruzadas sobre o peito, como que olhando para dentro de si mesmo, os olhos semi-cerrados e muito contritos. Nesse momento, todos os homens tiravam suas armas, que não passavam de pequenas facas ou canivetes utilizados no dia a dia, por necessidade do trabalho ou para picar fumo para o cigarro de palha. Esse gesto significava uma total entrega nas mãos de Deus.

Acabada a oração eram servidos quitutes, café ou outra bebida na casa dos festeiros. Em alguns casos, havia pagode pelo resto da noite.

Essas festas ainda são celebradas na cidade e em todo município, embora de forma diferente, acompanhando as mudanças ocorridas na liturgia católica.

Festa do Divino

Realiza-se no domingo de Pentecostes e se revestia de muita solenidade, sempre precedida de novena preparatória. O casal noveneiro levava a bandeira e a coroa, da casa do festeiro até a Igreja matriz, acompanhados pela banda de música e os fiéis. Na igreja posicionavam-se ao lado ao altar-mor, ele com a coroa dourada tendo no topo uma pomba, símbolo do Espírito Santo, dignamente colocada numa bandeja forrada de vermelho, e sua esposa segurava a bandeira, também vermelha, com uma pomba branca desenhada no centro.

Durante a novena, a bandeira e a coroa percorriam as casas em busca de esmolas e levando as bençãos do Divino a todos os lares. No dia da festa, após a missa solenemente cantada pelo pároco e o coro, iniciava-se o leilão de assados. A tarde realizava-se a procissão com vários andores dos santos mais populares e o do Divino, ricamente enfeitado, ostentando o Símbolo em forma de pomba. Essa festa foi realizada até a década de 70 quando faleceu o senhor José de Melo Mendes, seu organizador.

Corpus Christi

Celebrada após pentecostes, em comemoração da Instituição da Eucarístia. Para essa festa os moradores das ruas onde a procissão iria passar enfeitavam as janelas com flores, toalhas bordadas e tapeçarias reservadas para esse dia, quando o Santíssimo Sacramento percorria as ruas da cidade, levado pelo padre com toda piedade e recebendo as pétalas de rosas atiradas pelas meninas vestidas de anjo.

No final da década de 60 os costumes mudaram. Passou-se a enfeitar as ruas com tapetes de serragem e outros materiais, formando extensos tapetes coloridos.

Procissão nas ruas da cidade (dec. 60), com o famoso tapete feito de serragem, pó de café entre outros materiais. Onde lindos desenhos enfeitam e embelezam as ruas de São Bento.

Natal

O ponto alto das comemorações do Natal era a missa do galo, celebrada à meia noite. Todos se preparavam com ansiedade e espírito religioso, usavam roupas novas e sapatos novos. A missa era feita em latim e era muito demorada.Terminada a missa os roceiros voltavam para casa, muitas delas distantes da cidade e por caminhos acidentados, usavam fachos ou lanternas para vencerem a escuridão.

Na manhã do dia 25 havia outra missa seguida da procissão do Menino Jesus, com a participação das crianças que recebiam doces, pães e balas durante o percurso.

O presépio ficava em lugar de destaque dentro da igreja com suas figuras próprias: anjos, pastores, reis e a mangedoura onde uma lâmpada de azeite de mamona iluminava a Sagrada Família. Todos se ajoelhavam diante do presépio, rezavam e beijavam uma fita que saía das imagens centrais.

Esse hábito perdura até hoje na paróquia.

Semana Santa

A procissão do Depósito, no sábado de ramos, dava início às solenidades da Semana Santa. Era o transporte da imagem do Senhor dos Passos da Igreja Matriz para a de Santo Antonio, de onde sairia no dia seguinte para outra procissão, a do Encontro.

No domingo pela manhã, todos se reuniam para a benção dos ramos, antes da missa. Em seguida, saiam em procissão levando folhas de palmeiras, umas enfeitadas com flores, outras trançadas, celebrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

Á noitinha, duas procissões aconteciam ao mesmo tempo: a do Senhor dos Passos que saía da Igreja de Santo Antonio, com os homens, e a de Nossa Senhora das Dores, com as mulheres saindo da Igreja Matriz. A primeira percorria desde o Bumba, passava pelo Aterrado, até a Igreja Matriz; a outra fazia um percurso menor. Durante o trajeto rezavam-se as Estações da Via-Sacra e justamente na que fala do encontro de Jesus com sua Mãe, dava-se o encontro das duas imagens, quando era proferido um sermão alusivo ao acontecimento. O cortejo seguia para Matriz e terminava diante do Calvário, tendo ao pé do Crucificado as figuras vivas de João e Maria Madalena com seus longos cabelos e vestida de branco.

Durante a Semana Santa os sinos silenciavam na quinta-feira e somente o toque da matraca anunciava as cerimônias na igreja.

Na Quinta-feira Santa todos participavam da cerimônia do Lava –pés na qual o celebrante lavava os pés dos apóstolos e, após um abraço, dava a cada um deles um pão especialmente preparado para essa celebração. Era uma honra ser escolhido para representar um apóstolo na Última Ceia.

Mas o dia mais importante era a Sexta-feira Santa, dia de jejum absoluto, e abstinência total de carne.

Às 14:00h fazia-se o descimento do Calvário e o Sermão das Sete Palavras de Cristo. Nesse ato, a imagem de Cristo era despregada da cruz e colocada no colo de sua Mãe, quando se aproximavam João e Maria Madalena, todas figuras vivas. Em seguida, aparecia José de Arimatéia para levar o corpo do Crucificado e o pano subia lentamente. A imagem do Senhor Morto ficava exposta à veneração dos fiéis até a hora da procissão do Enterro.

Há trinta anos atrás, a missa de Aleluia era no Sábado Santo, ao meio dia e a procissão da Ressurreição, às 5 h da manhã de Domingo. Nesse dia, a coroação de Nossa Senhora, à tarde, era o fecho de ouro das comemorações da Semana Santa.

Festa de São Bento

Diz a tradição que São Bento foi escolhido para ser padroeiro desta cidade em virtude de haver na região muita cobra venenosa. Por outro lado, estava em expansão a construção dos mosteiros beneditinos no Brasil, o que pode ter determinado a escolha desse santo para padroeiro da freguesia de São Bento do Sapucay-mirim, quando da sua fundação.

Sua festa é uma das mais antigas, tendo se referido a ela o Desembargador Affonso de Carvalho em sua "Notícia Histórica", como do ano de 1830. Antigamente, era celebrada junto com a festa de Nossa Senhora do Rosário, no dia 1 de novembro, resumindo-se numa procissão que ia da Igreja Matriz à do Rosário. Passou a ser celebrada mais solenemente no dia 11 de julho por iniciativa do vigário da época, Padre Teófilo de Almeida Crestani, em 1970. Entretanto, não cria a tradição; embora seja a festa do padroeiro, não se pode dizer que seja a maior da cidade.

Festa nas Comunidades Rurais

A mais antiga festa rural é do Bairro do Quilombo, celebrada em louvor a Nossa Senhora Imaculada Conceição no dia 8 de dezembro.

A Capela do Quilombo é muito antiga. Em 1879, já havia referências sobre ela no livro do Tombo da Paróquia. Seu patrimônio foi doação do Sr. João Alves de Abreu, um fazendeiro do bairro.