História de São Bento do Sapucaí

Por volta do ano de 1820 a 1822, José Pereira Álvares e outros agricultores residentes às margens do Rio Sapucaí Mirim, em terras de Pindamonhangaba, tencionaram erigir uma capela dedicada a Nossa Senhora, no local onde hoje se ergue a atual Igreja de Nossa do Rosário. Por motivo de constantes rixas com os habitantes do município mineiro de Camanducaia eles foram obrigados a paralisar as obras de construção da capela. Pouco tempo depois de José Pereira Álvares sua mulher, Dona Ignez Leite de Toledo, doaram a São Bento uma grande extensão de terras, com o fim de nela erigir uma igreja sob a invocação deste milagroso santo “São Bento”.

O povo, levou uma imagem do santo, que existia, na antiga capela da Guarda Velha, situada próximo a Sant’ana do Sapucaí Mirim, povoado mineiro, para o local onde hoje se ergue a IGREJA Matriz de São Bento. Enquanto se edificava o templo, o vigário encomendado, Padre Manuel Alves Coelho, lavrou o primeiro assento de batismo em uma casa particular, no dia 3 de fevereiro de 1828.


O povoado Cresceu célebre sendo elevado à freguesia pelo Decreto de 16 de agosto de l832 à vila, pela Lei nº 23 de l6 de abril de 1858 à cidade pela Lei nº 49 de 30 de março de 1876, substituindo-se, então, de São Bento do Mirim para São Sapucaí somente, ficando a data de Fundação da cidade em 16 de agosto foi criada a Estância Climática de São Bento do Sapucaí, pela Lei nº 9700, de 26 de janeiro de 1967. A parte judiciária pertenceu de 1832 a 1833, à Comarca da Capital de São Paulo; de 1833 a 1858, à Comarca de Taubaté; de 1858 à 1866, à Comarca de Guaratinguetá; de 1866 a 1877, novamente a Comarca de Taubaté; de 1877 a 1890, à Comarca de Pindamonhangaba, e finalmente a 10 de setembro de 1890, pelo Decreto nº 64, de 30 de julho de 1890, foi instalada a nova comarca paulista de São Bento do Sapucaí, sendo seu primeiro Juiz de Direito, o Dr. Joaquim Albuquerque Lima.

Em meados de 1840, a Freguesia recebeu a Visita dos Frades Capuchinhos, para as primeiras missões na Paróquia. E como a Freguesia estava se desenvolvendo, falou ao povo da necessidade de se erguer um templo (até aquela data era capela de pau-a-pique coberta com sapé). A idéia foi aceita e teve a sua frente o Padre Noloso César.

Iniciando a construção da Igreja nova; as paredes foram construídas por fora da antiga capela, de modo que esta foi demolida depois de coberta a nova igreja.

Começava a aglomerar-se as casas nas “ruas de cima”, para evitar as cheias do Sapucaí. Em 1858, quando São Bento passou a categoria de Vila, as condições já eram bem melhores, pois refletiam os progressos da economia brasileira, especialmente a do vale do Paraíba, então no apogeu do ciclo do café. Em data de 25 de outubro de 1858, a instalação da Comarca Municipal da Vila de São Bento do Sapucahy Mirim.

A 30 de março de 1876, a Vila é elevada a Cidade. Na Época a população era de 4.272 habitantes, dos quais 564 eram escravos; e grande parte da população rural, passou a viver na cidade, firmando a sociedade urbana.

O patrimônio de São Bento, já se encontrava parcialmente desmembrado, sobre tudo nas regiões mais altas, livre de inundações. Constroem-se casas, residências, senhorias que abrigavam familiares dos fazendeiros. O pátio da Igreja Matriz toma forma com o templo levantado e coberto.

Os donos de terras e grandes comerciantes constituíam a elite da época “os homens de bem”, entre os quais eram escolhidos os vereadores da Câmara Municipal, responsável pelo destino político da pequena comunidade nascente.

O atual cemitério de São Bento do Sapucaí, foi inaugurado em 1879, conta-se que o primeiro cemitério existente, ficava nos arredores na capela de N.Sra. do Rosário, hoje Praça Gal. Marcondes Saldado.

Em 1885 a Igreja Matriz sofre a primeira reforma, e em 1906 a torre central foi erguida, pelo Padre Francisco Reale. Em 1916, foram construídos as torres laterais, e os alteres e a decoração. A Igreja Matriz é a única construção em “taipa de pilão”, existente no Município.

Em 1887, verificou-se um crescimento significativo do Município, comprovado no Relatório da Comissão Central de Estatística, apresentado à Província de São Paulo, relativa aquele ano: a população era de 13.099 na paróquia de São Bento do Sapucaí.

Apesar da enorme distância que separa São Bento dos Municípios vizinhos e mais adiantados e a inexistência de caminhos, os sambentistas viajavam muito, a negócios, passeio ou por necessidade, o que os mantinha em contato com as demais regiões. O contato com a região fazia-se através do Vale do Paraíba. Os homens viajavam a cavalo, mulheres e crianças de carro de boi; por um roteiro que evitava deliberadamente o território mineiro.

E o sambentista foi vivendo sua vidinha entre festas, procissões e foguetórios, enquanto a cidade crescia, a Igreja Matriz ganha sua torre e os políticos se degradavam pelo Poder.

Veio a República, em 1889, aqui comemorada, com foguetório, tendo à frente o Coronel Francisco Chagas Esteves, o chefe do Partido Republicano – “os Botões”, gritando vivas à Deodoro. Os depostos formavam o partido liberal, de tendências conservadoras, favoráveis ao Império, aqui chamados “jagunços”. Conta-se que a rivalidade entre eles era ferrenha.

Dentro da história de São Bento, não podemos esquecer a figura dos coronéis, os “manda-chuva” do lugar, que deram nome a maioria de nossas ruas.

O posto de coronel era ambicionado pelos senhores da terra, grandes fazendeiros e comerciantes que, depois de nomeados, compravam a patente para poder exercer a função de chefe.

Em São Bento, o poder sempre esteve nas mãos dos coronéis, disputados pelos botões e jagunços, após a Proclamação da república, ao primeiro pertencendo ao Major Monteiro de carvalho, Cândido José da Silva, Cândido Ribeiro da Luz, entre outros, e o segundo chefiados por Silvestre Porto e José de Freitas Guimarães.

Entre os coronéis havia constantes batalhas pelo Poder dentro da Câmara Municipal, que historicamente dominou os destinos da cidade ao longo dos anos, alternando-se no poder ou até perpetuando-se nele, caso do Cel. Manuel Marcondes da Silva, que foi Presidente da Câmara Municipal por mais de 30 anos. Esses coronéis habitavam os casarões e sobrados mais vistosos, na parte nobre da cidade e constituíram o grupo cultural e intelectual da sociedade sambentista.

Além da formação de origem bandeirista e indígena, outros povos contribuíram para a identidade do nosso povo. Os negros, trazidos para a lavoura do café o fumo, depois italianos, portugueses, a partir de século XIX, destacando-se as famílias: Chiaradia, Metidieri, Fitipaldi, Priante, Olivetti, Púppio, Caninéo, Castagnacci, Bevilacqua, Moliterno, Ricotta, Reale, entre outras. Também mencionamos a colonização japonesa, por causa do um núcleo de adaptação de imigrantes japoneses, situado no Bairro do Paiol Grande, próximo a Pedra do Baú.

Em 1890, foi criado a Comarca e vêm se juntar a sociedade sambentista os juizes, promotores que aqui se instalaram para impor a Lei e fazê-la cumprir em todos as partes do Município. São Bento do Sapucaí, pertenceu a Comarca de Pindamonhangaba, foi desmembrada pelo Decreto nº 64, de 10 de junho de 1890, a pedido do Intendente Cândido Ribeiro da Luz, através do ofício dirigido ao Presidente da República Marechal Floriano Peixoto. Compreendia os distritos de Santo Antônio do Pinhal, Campos do Jordão.

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Os Distritos de São Bento do Sapucaí:

SANTO ANTÔNIO DO PINHAL: Foi transferido para o Município de Campos do Jordão, em 14 de dezembro de 1934 e reincorporado à Comarca de São Bento do Sapucaí pelo Dec. 14334 de 30 de novembro de 1944, permanecendo até os dias de hoje.

CANDELÁRIA: O distrito de Candelária foi criado pela Lei 333, de 1895 e pela Lei de 20694, de 03 de novembro de 1936, pelo acordo e limites entre os Estado de São Paulo e Minas Gerais, foi anexado a Minas Gerais, sendo hoje distrito de Brasópolis.

CAMPOS DO JORDÃO: Foi transferida para a Comarca de Pindamonhangaba pelo Dec. 7034 de 03 de abril de 1935 de reincorporado a Comarca de São Bento do Sapucaí pelo Decreto 282 de 31 de dezembro de 1936. Em 30 de novembro de 1944, pelo decreto 14334, desmembrou, transformando na Comarca de Campos do Jordão.

Em 01 de setembro de 1890, foi lavrada a Ata de Instalação sendo nomeado Juiz de Direito Dr. João Marcondes de Moura Pereira, para cerimônia de instalação, o primeiro Juiz Titular da Comarca Dr. José Joaquim Albuquerque Lima.
O segundo Juiz de Direito da Comarca de São Bento do Sapucaí foi o Dr. Affonso José de Carvalho, filho desta Terra, que se destacou como jurista, galgando o posto de Desembargador.

Lampiões a querosene iluminavam a cidade, suspensos nos respectivos postes e o serviço podia ser explorado por particulares ou empresas. Por volta de 1908, explorava esse serviço a Sra. América de Carvalho Ramos. Em 1911, estava a cargo de Sr. Thomé Augusto de Campos e o acendedor chama-se Benedito Marcondes.

Os primeiros passos para implantação da luz elétrica na cidade foram em fevereiro de 1911, pelo então Presidente da Câmara Sr. Tenente-Coronel Marcondes da Silva. Em 24 de julho 1912, foi assinados o contrato com a Cia. Mercantil e Industrial Casa Vivaldi, do Rio de Janeiro. E no dia 19 de setembro de 1913, foi solenemente instalada luz elétrica em nossa cidade.

A partir de 1912, reestrutura-se a Guarda Nacional e é criado o Tiro de Guerra 535, incorporado em 1917. Em relação a Guarda Nacional, São Bento sediava o 8º Regimento de Cavalaria e Infantaria.

Na área educacional, inaugura-se em 01 de setembro de 1915 o Grupo Escolar “Cel. Ribeiro da Luz”.


Em São Bento do Sapucaí, as festas religiosas continuavam sendo um acontecimento social, com a chegada dos Padres Carmelitas, surgiram várias associações religiosas. Tiveram atuação marcante, além das obras de embelezamento da Igreja Matriz, o trouxeram para cá o construtor Francisco D'Arace, arquiteto e escultor Marino Del Favero e pintor Luiz Teixeira (que construíram o Altar Mor da Igreja Matriz em 1917).

Por outro lado, foi criado o Externato São Luiz, criado em 1915, pelo Dr. Genésio Cândido Pereira, estabelecimento de ensino primário e secundário, além de um Curso Especial Noturno para adultos, curso esse, pioneirismo nacional. Foram criadas as escolas Rurais, pois o ensino tornou-se obrigatório para as faixas etárias de 07 a 12 anos, conforme Lei Municipal promulgada em 1917.

Na data de 21 de outubro de 1918, foi fundada a Santa Casa de Misericórdia de São Bento, pelo Pe. Francisco Reale.

As duas primeiras décadas do século XX foram de muito progresso para São Bento do Sapucaí, e sua gente vivia na fartura e na riqueza. Os tropeiros nunca tiveram tanto trabalho como então, com a exportação do fumo.

Na década de 20, abriu-se a estrada de Rodagem ligando a Estação ferroviária (Santo Antônio do Pinhal) a São Bento, encurtando a viagem e melhorando o conforto, o serviço de correio, e a viagem em malas postais.
Nesse período apareceram “as jardineiras”, antepassados dos ônibus modernos.

Nessa época a cidade ainda não possuía água encanada nem esgotos. A população usava fossas sépticas no quintal. A partir de 1929, na gestão do Dr. Octávio Campelo de Souza, a cidade ganhou rede de esgotos e água encanada em alguns lugares.

Na década de 30, a sociedade sambentistas era muito animada, mas politicamente, foi um desastre esse período. Era nomear Prefeito, depor Prefeito, até que a Câmara foi extinta e os Prefeitos nomeados pelo Interventor Federal de São Paulo.

A Paróquia de São Bento comemorou o seu Centenário em 03 de fevereiro de 1932, que foi muito festejada. No Livro de Ata do Centenário da paróquia, consta a assinatura do Cantor Lamartine Babo, que se encontrava na cidade para restabelecimento de sua saúde, onde compôs a música “No Rancho Fundo”.


EM 1932 é aberta a Rodovia São Bento - São José dos Campos, e encurta-se a distância para a capital e surge a primeira linha regular, ligando São Bento à São José dos Campos, chamada Empresa de Ônibus São Bento.

As divisas de São Bento do Sapucaí são os seguintes Municípios: Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal, Estado de São Paulo, Sapucaí Mirim, Paraisópolis, Gonçalves e Brasópolis, Estado de Minas Gerais.

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Nestas condições, não é difícil imaginar a situação de São Bento durante a Revolução de 1932. Os soldados se dispersaram por toda a divisas no sentido de não permitir a entrada de tropas Getulistas por nenhuma delas. A população assustada, em sua maioria, se escondia no mato e até no forro de suas próprias casas com medo dos soldados. Muitos nem sabiam o que estava acontecendo. Ninguém saia nem entrava na cidade e em caso de muita urgência, havia o salvo-conduto, tirado na estrada de Paraisópolis, antes da divisas. Os alimentos ficaram racionados e se adotou o sistema de fichas, pessoas foram requisitadas para trabalharem na abertura de trincheiras e pontes, além da abertura de picadas no mato. Havia ainda os que transportavam as armas para as trincheiras. Ocorrendo a revolução em tempo de plantio, a lavoura foi muito prejudicada; por outro lado, boa parte dos homens se alistou como voluntários a fim de garantir a sua subsistência e a de seus familiares, outros que permaneceram em seus lares não podiam plantar, pois corriam o risco de serem atingidos por balas perdidas. A participação de mulheres foi muito relevante. Elas eram as costureiras das tropas e também como cozinheiras.

Os fazendeiros tiveram seus animais e alimentos disponíveis requisitados para a manutenção da tropa, sendo reembolsados após a revolução. Trincheiras foram abertas na divisas dos dois estados, Minas e São Paulo, na estrada que liga São Bento do Sapucaí a Paraisópolis, numa posição que privilegiou a tropa paulista no duro combate que ali se travou no dia 30 de setembro. O fogo cruzado durou cerca de vinte e quatro horas, quando a ordem de cessar fogo chegou ao quartel general. Conta-se que na noite de combate, a população entrou em pânico e se evadiu em sua maioria, alguns se escondendo no morro do Cruzeiro, outros fora da cidade. A tropa paulista não sofreu nenhuma baixa. Quando a ordem de cessar fogo chegou ao quartel general de São Bento, a revolução já havia terminado há dois dias. Após cessar fogo, a cidade foi invadida pela Tropa federal, mas foi uma ocupação pacífica; a maioria dos soldados paulistas se embrenhou no mato e alcançaram estradas mais seguras, com medo de represálias.


Entre os participantes da Revolução Constitucionalista de 1932, entre eles destacam-se: Paulino Piazzaroli, Joaquim Garcia, Benedito Tucum, Vardomelo, Joaquim Custódio dos Santos, João Custódio dos Santos, Luiz Dominguinhos, Júlio Ribeiro da Luz. Capitão Olegário Marcondes – Oficial do Exército, Serviu a revolução, abandonando sua base e vindo lutar em São Bento, pelos paulistas. Caiu nas mãos dos inimigos e foi feito refém. Esteve preso na Ilha de Fernando de Noronha e foi libertado após a revolução. Alcançou o Generalato e faleceu em 23 de agosto de 1953, sendo sepultado em Pindamonhangaba.

Outro destaque na revolução de 1932 foi o Monsenhor Pedro do Valle Monteiro, mesmo não tendo vestido um uniforme de guerra, sua atuação foi muito importante para São Bento e para os paulistas. Quando do falecimento de José Lourenço, durante os combates, impunhou uma bandeira branca e foi buscar o corpo do herói, perto do bairro do Lambari (Bairro de Gonçalves - MG), seguido uma patrulha. Não fosse seu gesto, José Lourenço, não teria tido nem sepultura, porque ninguém era tão louco de cruzar a linha inimiga, em pleno combate.

A partir de 1940, São Bento entra em declínio, apesar de todos melhoramentos e benefícios do progresso e a facilidade de transportes e comunicação da época. Territorialmente o Município encolheu. Desmembraram-se Campos do Jordão e Candelária, e em 1950, começou o êxodo rural, acentuando-se mais em 1960, quando a população caiu para 13 mil habitantes. O desmembramento de Santo Antônio do Pinhal diminuiu mais a área territorial do Município.

Por obra do Deputado Dr. Wilson Rahal, em 25 de setembro de 1956, na Assembléia Legislativa de São Paulo, aprovou-se o projeto de Lei nº 644/56, que criou o Ginásio Estadual “São Bento”. Funcionando apenas com cinco séries, instalou-se no prédio do Grupo Escolar “Cel. Ribeiro da Luz”. E parte na sede do Clube “Operário”. Seu Diretor na época era Prof. Rafael Orsi Filho.

Em 1957, a Fazenda do Estado de São Paulo recebeu como doação feita pelo Educandário São Bento, o terreno onde atualmente funciona a escola, que recebeu diversas denominações: 1964 – Colégio Estadual e Escola Norma São Bento, 1969 0 Colégio Estadual São Bento, - 1976 EEPSG “São Bento, 1977 – EEPSG “Dr. Genésio Cândido Pereira e finalmente EE Dr. Genésio Cândido pereira. Esse nome foi dado à Escola pela lei Estadual nº 263/77, em homenagem ao Dr. Genésio Cândido Pereira, cidadão sapucaiense, advogado, promotor público de São Bento do Sapucaí e integrante do quadro de Juizes do Tribunal da Alçada de São Paulo.

Em 1960, foi inaugurada a Rodovia, asfaltada ligando Paraisópolis a Itajubá e a Rodovia Fernão Dias (MG) – Pouso Alegre; mas a Rodovia que liga São Bento a Paraisópolis ainda era de terra batida.

O Sapucaí Mirim teve a sua primeira retificação em 1968, e suas enchentes foram domadas, e a cidade cresceu.

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DO FUNDADOR:

TENENTE JOSÉ PEREIRA ALVES

Com o desbravamento das trilhas, para as regiões auríferas das gerais, muitos subiram a serra e aqui se estabeleceram em vastas fazendas, onde desenvolveram a criação e o comércio de gado da região.

Por volta de 1811, acompanhado de colonos e escravos, Pereira Alves, natural do Rio de Janeiro e morador de Pindamonhangaba. Pereira Alves, fazendeiro de destaque, proprietário de muitas fazendas de criar, algumas havidas por herança dos pais, homem astuto, verificando as condições isoladas pelas condições geográficas do lugar, e a dificuldade de transporte, afastados das vilas mais desenvolvidas, os moradores sentiam necessidade de assistência espiritual, tinham medo de morrer sem o conforto da religião, nestas paragens inóspitas.

José Pereira Alves, aliado ao espírito de religiosidade herdado de seus antepassados, e interpretando os sentimentos dos sertanistas, doou terras para construir uma capela. E, trouxe o Padre Luiz Justino Columbreiro, vigário de Pindamonhangaba, que benzeu o local, onde hoje se acha a Igreja de N.SRA. do Rosário. No alvorecer de 13 de dezembro de 1818, rezou-se a primeira missa numa igrejinha de pau-a-pique, coberta com palha, colocando ali a Cruz da redenção e uma bandeira com os dizeres: Nossa Senhora Mãe dos Homens, comovei os maus corações”. Tão logo o fato chegou ao conhecimento do Cadete João Theodoro, que fazia guarda do Registro da Picada do Sapucahy Mirim, rumou ele para cá e, ameaçou prender o Padre Columbreiro. E levá-lo para Vila Rica, arrancou a cruz e a bandeira, e foi depositá-la aos pés do Padre José Bento de Melo, vigário de Pouso Alegre, como um troféu conquistado aos paulistas, frustrando assim os planos de José Pereira Alves.

Mas, Pereira Alves não se deu vencido e mandou que iniciassem a construção da capela, em março de 1822, mas teve que sustar o trabalho para manter a paz e o sossego com os conflitantes mineiros; e quando essa Capela ficou pronta, não se sabe.

Serenado os ânimos, Pereira Alves e sua esposa D. Ignês Leite de Toledo, doaram uma grande expansão de terra, as margens do Rio Sapucaí, para ser erguida uma Capela em louvor a São Bento, cuja imagem achava-se na Capela da Guarda velha, um povoado um pouco distante, diz a história que, em 1811, Salvador Joaquim Pereira, estabelecido na Guarda Velha, na Fazenda Sapucahy Mirim, construiu uma capela, no morro denominado “Palmeiras”, dedicada a São Bento e abrigou a imagem desse Santo.

O povo em procissão transladou então a imagem de São Bento, imagem esta esculpida em madeira, para o local onde ergue-se a majestosa Igreja Matriz.

Segundo contam Tenente José Pereira Alves, faleceu no Rio de Janeiro, em data que não é conhecida.

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ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS

Por ter sido uma importante rota de tropeiros que de dirigiam ao Vale do Paraíba e ao Litoral, levando e trazendo mercadorias, pode intensificar o comércio, não só local, como as demais cidades do sul de Minas.

Passando pelos ciclos do café e do fumo, que inclusive levou o Governo Estadual a criar um núcleo para fomento e pesquisa do fumo, no ano de 1944, tornou-se “fazenda do estado”. A produção do fumo era toda destinada a Phillps Morris, para fabricação de charutos e cigarros.
São Bento produziu as primeiras mudas de oliveiras plantadas no Brasil, bem como participou das primeiras pesquisas de soja no Brasil, e atualmente destaca-se nos desenvolvimento de mudas frutíferas, principalmente a “atenóia”. Depois de passar por várias culturas de produtos de terra, (milho, verduras), hoje vem se destacando na produção de bananas, sendo hoje a sua principal riqueza.
A pecuária destaca-se com gado leiteiro e de corte, em função das pastagens naturais em nossas áreas.

Em meados de 1970/72, São Bento ganhou o asfalto da Rodovia Vereador Júlio da Silva, que liga a Estrada de Campos do Jordão - São José dos Campos, na altura do Bairro do Rio Preto a Paraisópolis – MG, que muito contribuiu para a melhoria das condições de transportes da nossa população.

Em 1974, inaugura-se o Prédio novo do Fórum da Comarca de São Bento do Sapucaí, que recebo o nome de Dr. Francisco Chiaradia Neto.

(a partir desta data estamos recolhendo material para o Histórico de nossa cidade)

O DESBRAVADOR

GASPAR VAZ DA CUNHA – Oyaguara

GASPAR VAZ DA CUNHA – Oyaguara

Foi a cobiça do ouro que levou Gaspar Vaz da Cunha, para uns alcunhado de Ouyaguara ou Jaguara, para outros Jaguareté, a ser um dos primeiros homens, de que se tem notícia, a pisar as serranias do Alto da Mantiqueira.

Gaspar Vaz da Cunha pertencia, decerto à estirpe gloriosa dos destemidos desbravadores das matas, a descobrir o rumo das faladas minas de Itajubá. Foi um dos 55 netos de Gaspar Guedes, casado com Francisca Cardoso, e considerado o principal povoador e fundador de Mogi das Cruzes.

Ouyaguara era filho de Mecia Vaz Cardoso, casada com Christóvão da Cunha Unhaté, casado com Victória da Siqueira.

No dizer de Afonso José de Carvalho, Gaspar Vaz, pertencia a uma estirpe de desbravadores das matas que jamais recuaram. Uns os chamavam simplesmente Oigara, que significava “cão do mato”, outros lhe acrescentavam a alcunha o sufixo “eté”- Oiaguara-eté, para eleva-lo a categoria de uma onça, pela rapidez e braveza. Mas o que ninguém por certo ignorava era a ascendência rija do sertanejo, da geração que ligar-se através dos Cunha Gago, aos grandes troncos da família vicentina.

Em 1703, o Capitão Jaguará abriu o primeiro caminho que ia de Pindamonhangaba ao Sapucaí.

O Capitão Jaguara, que fixou residência no Rio das Mortes, foi um acérrimo combatente dos Emboabas. Anotada por José Soares de Mello, a presença de um sertanista, com o nome de Gaspar Vaz da Cunha, na Guerra dos Emboabas. Segundo Brasil Bandechi, “a guerra dos Emboabas não é um fato isolado, um simples conflito em que duas facções disputavam a terra, o mando. Ela se insere nas insurreições nativistas que levaram o Brasil a separar-se de Portugal” Cremos assim, que Gaspar Vaz da Cunha tenha participado ativamente, de um dos primeiros movimentos libertários do Brasil-Colônia, a Guerra dos Emboabas.

A data de seu falecimento não é conhecida, somente que e seu casamento deixou geração.

Não se conhece muito a respeito de Gaspar Vaz da Cunha, mas o suficiente para inseri-lo na primeira página da história de São Bento do Sapucaí, com perfil de desbravador, que, em 1703, para uns, ou 1720, para outros, procedentes do Vale do Paraíba, abriu picada, em busca do ouro das Gerais, no rumo das Minas de Itajiba (corr. De itá-yibá, o braço de ferro; nome de um dos chefes tabajaras, no séc. XVI).

Em “Documentos Interessantes” há um documento de 1755 que faz referencia ao “Rio Sapucahy das Campanhas de Itajubá”, parecendo que o nome Itajubá (Itajiba no documento) é a denominação antiga da atual cidade de Campanha ou alguma localidade da mesma região.
Itajubá era também o antigo nome da Pedra do baú.


Como já se verificou, há uma dissensão quanto à data e a procedência da incursão de Gaspar Vaz da Cunha, na sua arremetida pioneira do Vale do Paraíba à Serra da Mantiqueira; para Carvalho Franco, o Oyaguara partiu de Pindamonhangaba, em direção ao Sapucaí, em 1703, ao passo que, para Orville Derby, a picada deve ter subido a Serra, mais ou menos, em frente de Guaratinguetá, por volta de 1720. Dezessete anos separam as versões, sendo que Condelac Chaves de Andrade chega a fixar o roteiro do sertanistas, localizando a subida pela Serra Preta, por onde alcança o Pico de Itapeva, eqüivale dizer que o Ouyaguara procedia de Pindamonhangaba, versão defendida, igualmente por Benedito Waldomiro de Abreu. Outro parecer a garganta do Piracuama seria uma passagem natural de acesso ao bandeirante, que, procedente de Pindamonhangaba, por volta de 1703, escalara a Mantiqueira.

CURIOSIDADES:
Origem do nome: José Pereira Alves doou terras às margens do rio Sapucaí para construção da capela da capela para São Bento, de quem era devoto. Núcleo formado misturou o nome do santo ao do rio.

ORIGEM DO NOME SAPUCAÍ:
Sapucaí – O rio das sapucaias
SAPUCAIA é o fruto conhecido por sapucaia (lecythis), que é oleoso, comestível, e lembra a castanha-do-pará. A madeira da sapucaia é dura, pesada e durável, sendo usada para dormentes, na construção naval e civil e em marcenaria.

Padre José de Anchieta descrevia em suas notas sobre a Sapucaia: “árvore cujo fruto é admirável. Este é semelhante a uma panela, cuja tampa como que trabalhada à torno...se abre por si mesma quando está maduro; aparecem então dentro muitos frutos semelhantes a castanhas....O vaso ou a urna, em que estão encerrados, não é menos duro que a pedra...”

O Rio Sapucaí recebeu este nome porque suas margens eram orladas por majestosas sapucaias, árvores sacrificadas pelos construtores da estrada de ferro Sapucaí, que...”Em 1896 tinha uma extensão em tráfego de 261km”, não havendo chegada até São Bento.

 

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