Igreja Matriz

Igreja Matriz de São Bento do Sapucaí

Isaura Aparecida de Lima e Silva (acervo Manoel Coutinho )

Segundo o anuário" ALMANACH", a história se registra da seguinte maneira:

"Manoel Esteves de Jesus Junior, homem abastado que, com o Dr. João Renno de França e Padre Pedro Nolasco Cesar, formavam o núcleo intelectual da Freguesia. Foram criados estatutos para orientar a comissão encarregada do levantamento do templo. Esses estatutos se compõe de 17 artigos extensos e dizem o seguinte: "Os abaixo assinados, cônscios da necessidade de se edificar um novo templo em honra e glória do Glorioso Santo São Bento, que deverá servir de matriz desta Freguesia de São Bento, a conselho do Frei Eugenio Maria de Genova, missionário Apostólico Capuchinho, depois de serem apresentados ao povo pelo mesmo Reverendíssimo Senhor e apregoado pelo Reverendíssimo Padre Nolasco Cesar, Vigário Colado desta Freguesia, na igreja, conscienciosamente se comprometem à edificação da obra da Igreja Matriz, no lugar denominado PALMEIRAS, da maneira seguinte;...7 indivíduos para comporem a comissão, presididos pelo Padre Vigário. Deveriam edificar a igreja a todo custo, ainda que durante a edificação morresse ou retirasse metade ou mais da metade da Comissão. Os Estatutos jamais poderiam ser revogados se as modificações viessem prejudicar a arquitetura da obra. Subscreveram os Estatutos: Padre Pedro Nolasco Cesar (Presidente), Frei Eugenio Maria de Genova, Benedito Salgado Cesar, Manoel Esteves de Jesus Junior (Secretário) Cap. Custódio Homem de Azeredo (Tesoureiro), Cap.Antonio Modesto Monteiro Dias (Procurador), Domingos dos Santos Cezar e Francisco da Silva".

O templo foi erguido com as doações dos fiéis, registradas em livro próprio, pagas com algumas verbas do Governo Provincial e pelo subsídio literário, um imposto cobrado sobre a fabricação de aguardente e o abate de gado de corte para venda no varejo.

A Igreja Matriz foi construída por fora da antiga capela de pau-a-pique, de modo que esta só foi demolida depois que o novo templo estava coberto, pois era a única igreja em condições de se celebrar o culto divino em toda a Freguesia. Pelas dificuldades e precariedade de trabalho próprias da época, as obras se arrastaram por mais de meio século e só foram concluídas pelos padres carmelitas em 1917, tomando as características que tinha até 1970. 

A pintura artística foi feita pelo pintor e artista Luiz Teixeira, natural de Itajubá, destacando-se os dois quadros na capela-mór, um representando A TRANSVERBAÇÃO DE SANTA TEREZA e outro, NOSSA SENHORA DO CARMO.

O Engenheiro arquiteto foi MARINO DEL FAVERO, escultor italiano residente em São Paulo. A construção dos altares esteve a cargo do artista italiano, também residente em São Paulo, Sr. Francisco D'Arace.

Os carmelitas trouxeram da Itália, onde foram chamados para servir ao exército italiano durante a Primeira Guerra Mundial, do qual foram dispensados por serem missionários, as imagens de Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora das Dores, Santa Tereza D"Avila e São João da Cruz, em 1916.

Os frades carmelitas chegaram a São Bento no ano de 1914 e sabe-se que havia uma intenção de se estabelecer na cidade a Ordem dos Carmelitas Descalços, pois aqui se encontrava Frei Seraphim D' Arpino, mencionado no Livro do Tombo como Provincial dos Carmelitas Descalços de São Bento do Sapucaí e com ele se achavam outros carmelitas. Toda a reforma feita na Igreja Matriz tinha como meta torná-la um templo carmelita.

Foram por eles adquiridas as imagens do Nosso Senhor Morto, em tamanho natural, Nosso Senhor Ressuscitado, Santo Antonio e 4 anjos decorativos de 1,10m de altura, do escultor Carton Piérre.

A inauguração das obras se deram no dia 16 de julho de 1917, dia de Nossa Senhora

Os carmelitas deixaram São Bento no ano de 1929, passando a paróquia para o comando do padre Pedro do Valle Monteiro.

Conforme consta do livro do Tombo os carmelitas deixaram escrito um termo de doação referente às imagens vindas da Itália, e de um harmônio pequeno e novo.

Como marca da presença deles nesta cidade ficou o estilo carmelita que imprimiram no interior da Igreja Matriz.

A imagem de São Bento o padroeiro, só voltou a ocupar seu lugar no altar-mor em 1934. 

 

TOMBAMENTO DA IGREJA MATRIZ EM SÃO BENTO DO SAPUCAÍ

Através da resolução SC 24 de 07 de maio de 2015 dispoe sobre o tombamento da Igreja Matriz. Sendo assim fica preservada sua fachada, interior do edifício, entre outras considerações. Click aqui para saber na íntegra o que trata a resolução: A partir de 07 de maio de 2015 a Igreja Matriz passa a ser tombamento histórico na cidade de São Bento do Sapucai