Padroeiro de São Bento

O Padroeiro São Bento

Isaura Aparecida de Lima e Silva

Bento era um santo de muito carisma. SABIA O QUE QUERIA E REALIZAVA AQUILO QUE SE PROPUNHA. Foi um homem de espírito cheio de sabedoria divina. Bento era bendito pelo nome pela graça.

São Gregório Matos foi o biógrafo de São Bento.

São Gregório nasceu em Roma em 540. Pertencia a uma nobre família de senadores. Foi Prefeito Imperial (cônsul) de Roma em 571. Fundou vários mosteiros beneditinos com seus bens e fez-se monge. Em 578 foi enviado para a Nunciatura de Constantinopla, pelo Papa Plágio, sendo o primeiro monge eleito para o Sumo Pontificado. Governou a igreja de 590 a 604, um período de grandes dificuldades e, como pastor de almas, defendeu um cristianismo baseado no amor ao próximo e organizou o canto litúrgico.

Foi um grande intelectual na sua época. Escreveu o LIVRO DOS DIÀLOGOS onde relata a vida de 4 santos italianos. O SEGUNDO LIVRO foi dedicado a São Bento (a quem não conheceu pessoalmente), mas agrupou informações de seus discípulos: Constantino, Valentiniano, Simplício e Honorato.

São Gregório morreu no dia 12 de março de 604.

São Bento

São Bento nasceu em Núrsia, na Itália, no ano de 480 e veio de uma família nobre. Segundo seu biógrafo, São Gregório, disse que "ainda criança, já trazia em si um coração de adulto", isto é, mostrava mesmo na puberdade um comportamento sério e ponderado.

Renunciou a herança paterna, deixou o lar e, em companhia de sua ama, recolheu-se ao povoado de ENFIDE a aí se demorou bastante. E nesse povoado realizou o primeiro milagre.

Sua ama pediu um crivo de barro a vizinha, ela derrubou e quebrou, ficou desesperada. O jovem Bento com pena da ama pegou o crivo e pôs-se a rezar. Ao fim da oração, o objeto estava consertado. Esse acontecimento causou admiração entre os moradores que colocaram o crivo sob a porta da igreja.

Bento saiu desse local sem se despedir, nem mesmo de sua ama, e foi para SUBIACO, um local deserto e distante de Roma uns 40 Km.

No caminho encontrou ROMÃO (ou Romano) um monge, que vivia num mosteiro perto do local, sob direção do abade ADEODATO. Este sabendo dos propósitos de Bento, impôs a ele o hábito monástico e indicou-lhe uma gruta no VALE DE SUBIACO, onde Bento viveu por 3 anos.

Romano para ajudar o amigo Bento, fugia do mosteiro e das visitas do abade por algumas horas e levava-lhe o que podia esconder de sua própria comida. Pendurava a cesta de comida numa corda, que também continha uma campainha pra avisar sua chegada. Assim Bento apanhava o alimento.

Nessa gruta Bento ainda foi tentado pelo demônio que usou do canto de um melro para trazer à sua lembrança certa mulher que havia visto a muito tempo, despertando em seu coração um ardor sensual que quase fez-lhe largar o ermitério. Mas tocado pela graça divina, voltou à realidade e atirou-se nu sobre uma moita de urtiga e espinhos e nunca mais foi tentado em sua sensualidade.

O nome de Bento se tornou famoso por sua vida santa. Um dia faleceu um abade de um mosteiro, próximo a gruta, e logo os monges do local foram procura-lo para que ocupasse o lugar do falecido. Recusou várias vezes justificando por seu estilo de vida que não agradaria os monges, mas acabou cedendo e isso irritou os monges. Alguns deles resolveram colocar veneno no vinho de Bento, assim que ele foi benzer a bebida fazendo o sinal da cruz, o recipiente se partiu em pedaços. Apenas disse: "O Senhor Onipotente tenha compaixão de vós, irmãos; por que fizeste isso? Não vos disse eu que o meu e os vossos costumes não se harmonizariam? Ide procurar um abade à vossa maneira que a mim não mais me tereis como tal".

E assim o fez, voltando a sua vida eremita. Continuou se destacando por seus milagres e congregou discípulos para o serviço de Deus, fundou 12 mosteiros e cada um tinha um abade com 12 monges.

Na época era costume os nobres e poderosos romanos entregarem seus filhos à Bento para que os formasse no serviço de Deus como: Equício, pai do jovem Mauro e Plácido, filho de Tertúlio, natural de Núrsia.

Um dia Bento estava orando em sua cela, quando Plácido foi buscar água no lago e deixou cair o balde e acabou caindo junto e foi arrastado para longe da margem. Bento chamou Mauro para acudir a criança que já se debatia sobre as ondas. Com a impressão de caminhar em terra firme agarrou o garoto pelos cabelos e quando chegou a margem, caiu em si e viu que tinha andando sobre as águas.

Bento construiu 3 mosteiros no alto das montanhas, e os monges reclamavam da dificuldade de se obter água. Bento, na companhia de Plácido, subiu às montanhas e ficou lá em oração por um longo tempo. Ao final da oração, colocou 3 pedras no local. No dia seguinte foi novamente procurado pelo mesmo problema com a água e disse: "Ide lá em cima e no lugar onde encontrardes 3 pedras, uma sobre as outras, cavai um pouco. O Senhor onipotente é muito capaz de por água a jorrar lá do alto, poupando-vos assim a tão penosa tarefa". Eles assim o fizeram, assim que começaram a cavar a água jorrou.

Os milagres de Bento despertaram os ciúmes de Florêncio, um presbítero de uma igreja dos arredores. Este então enviou um pão envenenado a Bento que apesar de saber do perigo contido naquele gesto aceitou como mostra de sua gratidão. Um corvo da floresta que diariamente era alimentado por ele chegava nessa hora, então o Santo Deus ao vê-lo ordenou: "Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, pega esse pão e vai larga-lo num sítio onde ninguém possa encontrá-lo". A ave pegou o pão e sumiu das vistas dos presentes. E cerca de 3 horas depois voltou para receber sua alimentação normal.

Ainda assim Florêncio tentou atacar Bento em sua alma e colocou no pátio do Mosteiro 7 raparigas nuas, vendo que o alvo dessa situação era ele, decidiu retirar-se dali. Enquanto ia embora Florêncio ficou debruçado na janela contemplando "sua vitória", quando a sacada dasabou e ele veio a falecer. Mauro um dos discípulos do monge correu para avisá-lo e pediu que voltasse pois seu inimigo estava morto. Mas Bento chorou e se lamentou pela trágica morte de Florêncio e pela satisfação de seu discípulo perante o ocorrido, que foi repreendido e recebeu uma penitência adequada.

Bento deixa SUBIACO e segue para sudeste, pela VILA CASILINA, até encontrar CASSINO, onde existia um templo em homenagem ao deus Apolo, cuja população ainda venerava, sendo assim ele despedaçou o ídolo, derrubou o altar e mandou queimar os bosques onde ofereciam sacrifícios a esse deus pagão. No lugar do templo de Apólo construiu a igreja de São Martinho, e no lugar do antigo altar a capela de São João.

Durante a construção de um mosteiro foi a oração de Bento que fez uma pedra irremovível se tornar leve para poder assentar as paredes. Era o demônio que tinha assentado a pedra.

Em sua cela orando, apareceu o demônio insultando Bento e deu a entender que iria prejudicar os irmãos no trabalho. Uma parede soterrou um jovem monge, filho de um oficial da Corte. Seus ossos foram esmagados e Bento pediu para que os recolhesse no manto e os colocasse sobre a esteira onde costumava rezar e despediu de todos. Fechou-se em sua cela e debruçou-se em orações mais insistentes que de costume. Algum tempo depois o abade mandava o abade de volta ao trabalho como se nada tivesse acontecido.

TÓTILA, rei dos godos, tomou conhecimento dos dons de Bento. Mesmo com e permissão para entrar pessoalmente no mosteiro, preferiu vestir RIGGO, seu escudeiro, com vestes reais para que se apresentasse ao famoso homem de Deus como o rei. Quando Riggo se aproximava do mosteiro Bento lhe disse: "Larga estas vestes que trazes pois não são tuas". Riggo ficou cheio de pavor e prostrou-se por terra. Quem o acompanhou contou o acontecido a TÒLITA que foi pessoalmente visitar o monge. Sem coragem para olhar em seus olhos, ajoelhou-se cabisbaixo, e Bento gritou 3 vezes: "Levanta-te", mas ele não se mexia. Bento foi até ele e o ergueu do chão e disse: "Cometestes muitos males, cometestes muitos males!! Já é tempo de pores fim a tanta maldade. Entrarás em Roma, atravessarás o mar, reinarás nove anos e no décimo, morrerás". Ao ouvir isto o rei encheu-se de pavor, pediu sua benção e partiu. E a profecia se cumpriu no tempo previsto.

Ainda nesse tempo, conta-se que ZALA, um homem muito cruel, cobiçou os bens de um pobre camponês e começou a torturá-lo para que entregasse tudo o que tinha, com medo a vítima disse que entregou seus bens a Bento e ZALA acreditou e deixou de torturá-lo. Acorrentado e caminhando diante do cavalo levou seu torturador até o mosteiro.

ZALA disse: "Levanta-te, levanta-te! Devolve os bens que este camponês te entregou!". Bento levantou os olhos e diante de seu olhar as correias se desataram. ZALA tremeu de medo e caindo aos pés de Bento pediu que orasse por ele. Bento pediu aos monges que levasse ZALA para o mosteiro e lhe desse de comer. Quando voltou Bento o censurou e pediu para que nunca mais agisse daquela forma desumana.

Na época em que CAMPANHA sofria uma grande fome, o Homem de Deus deu aos necessitados todos os bens do mosteiro, restando apenas um pouco de óleo. Então o subdiácono AGAPITO pediu um pouco. Bento ordenou que lhe dessem o óleo que restava, mas a ordem demorou a ser cumprida e esse monge responsável justificou dizendo que se tivesse dado o óleo não sobraria para os outros monges. Bento irritado mandou jogar o óleo fora, reuniu os irmãos e censurou o monge desobediente e começou a orar com os monges. Nesse local havia um tonel vazio que se encheu de óleo enquanto era feita a oração.

Bento tinha uma irmã, ESCOLÀSTICA, uma mulher que vivia voltada a Deus. Um dia pediu pra que o irmão ficasse com ela para que pudessem falar da vida celestial, mas ele não podia dormir fora do mosteiro. Foi ai que começou uma tempestade e ele teve que ficar ali e passaram a noite conversando. Três dias depois em sua cela, Bento viu a alma dela subindo ao céu em forma de pomba. Ela acabava de morrer. Mandou buscar o corpo e o sepultou no túmulo que havia preparado para si.

Seis dias antes de falecer, Bento mandou abrir o próprio túmulo e no dia de sua morte pediu que o levassem ao oratório onde recebeu a comunhão e no meio dos discípulos que o sustentavam de pé, com as mãos estendidas para o céu, exalou o último suspiro. Bento foi enterrado na capela de São João, no MOSTEIRO DE MONTECASSINO, no dia 21 de março de 550 (aproximadamente).

REPRESENTAÇÃO ICONOGRÁFICA* DE SÃO BENTO

(*A iconografia é uma forma de linguagem que agrega imagens na representação de determinado tema)

A mais antiga representação icnográfica de São Bento é o afresco encontrado nas catacumbas de Hércules, em Roma, datada do século VIII.

Dois pintores renascentistas pintaram 35 cenas da vida de São Bento, baseadas nas descrições de São Gregório Magno: Luca Signorelli e Sodoma, feitas no Mosteiro Oliveto Maggiore.

As Medalhas de São Bento

A medalha surgiu no século XVII. Um lado dela tem o santo com um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, cenas que lebram as duas tentativas de envenenamento que sofreu. Do outro lado, a medalha representa a Cruz e entre seus braços estão gravadas as iniciais CSPB-Cruz do Santo Pai Bento. Na haste vertical lê-se as iniciais CSSML-A Cruz Santa Seja a Minha Luz; na haste horizontal: NDSMD; Não seja o Dragão o Meu GUIA; no alto da Cruz está gravada a palavra PAX-paz que é o lema de São Bento, ás vezes substituída pelo monograma de Cristo: IHS. Á direita da palavra PAX estão as iniciais VRSNSMV – Retira-te, satanás, não me ensine coisas vãs. Continuando ainda a partir da direita: SMOLIVB – é mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos. Estas inscrições estão em latim. São Bento é representado ainda com o Livro da Regra que escreveu na mão esquerda e, na direita, a cruz. Ao redor dela lê-se: EIUS OBITU PRESENCIA MUIAMUR, que significa: Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora da nossa morte.

Diz a tradição que São Bento foi escolhido para ser padroeiro dessa cidade por indicação dos escravos que tinham muito medo de cobras e aqui, elas eram abundantes.

No catolicismo popular, São Bento é tido como protetor contra a picada de cobras e são conhecidas várias orações que o povo reza para se proteger.

Eis uma delas:

Água benta, São Bento,
Jesus Cisto no altar
Bicho bravo que me atenta
Abaixa a cabeça
E deixa o filho de Deus Passar...

Outra oração:

A Cruz sagrada seja minha Luz
Não seja o Dragão meu guia
Retira-te Satanas
Nunca me aconse-lhes coisas vãs
É mal o que tu me ofereces
Bebe tu mesmo do teu veneno

Em Latim

Crux Sacra Sit Mihi Lux
Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Sátana
Nunquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas
Ipse Venena Bibas