Transporte e Comunicação

Transporte

Antigamente não havia estradas, o relevo era acidentado, íngreme e tortuoso, utilizavam o burro para fazer o transporte, que se adaptava ás condições topográficas e agüentava carregar carga pesada.

As primeiras trilhas na Serra da Mantiqueira, ligando o Alto do Sapucaí ao Vale do Paraíba foram abertas pelos bandeirantes que usavam a Garganta de Piracuama para se dirigirem às Gerais com suas tropas de burros.

Acabando o ciclo dos minérios, surgiram as fazendas produtoras de café, açúcar, cereais e de criação de gado, intensificou-se a criação de burros e aumentou o tráfego de tropas que desciam a Serra da Mantiqueira.

O tropeiro foi um herói do seu tempo. Ficava vários dias na estrada, sobre sua cela. Dormiam quase ao relento. Durante o caminho tocavam viola e dançavam o catira, para disfarçar a saudade de casa.

Ele era o elo de ligação entre São Bento, o Vale do Paraíba e o Sul de Minas. A tropa tinha no mínimo 10 animais, guiados pela égua ou mula chamada de madrinha que ia na frente, toda adornada de argolas de metal, sicerros e guizos, orientando o resto da tropa. Um cargueiro levava os apetrechos e alimentos necessários para viagem que, ida e volta, durava uma semana.

O cavalo também foi um animal importante para o transporte, em viagens de negócios, Folia de Reis e do Divino, e nos rodeios. A maioria das famílias possuía pelo menos um cavalo para suas viagens.

A Carroça foi um veículo fundamental na vida da cidade e o primeiro de transporte oficial. Em 1918, a prefeitura adquiriu duas carroças para seu uso e mantinha a alimentação dos animais e o salário do condutor. Transportava materiais de construção, fazia a remoção do lixo e trazia a carne do matadouro para os açougues. Até a década de 60 ela fez a remoção do lixo, quando foi substituída por veículos motorizados.

Carro de boi

O carro de boi participou no desenvolvimento econômico da região, onde ao lado das tropas, era o meio de transporte das riquezas das fazendas e também das pessoas auxiliando na lavoura.

Ele trouxe o sino da Igreja Matriz, do porto de Ubatuba até aqui, a pedido do Cônego Bento de Almeida.
Em 1874, o fazendeiro Bento da Rosa Goes (residente no bairro da Bocaina), se propôs a fazer a viagem, juntamente com seu escravo Adão. Previu então os gastos com alimentação e aprontou tudo.

Além do escravo Adão, o carreiro, seguiam um cozinheiro e mais dois escravos. Levava também uma corrente grossa medindo uns 8 metros de comprimento, das que se usava para arrastar toras de madeira.

O Major Bento acompanhava o carro de boi, e foi bem até São Luiz do Paraitinga. Daí para frente, os escravos tinham que tirar os mourões de cada porteira para dar passagem ao carro de boi, e outro recolocava-os no lugar. Havia muitas propriedades e por isso o número de porteiras também era grande.

A chegada ao Porto de Ubatuba foi cercada de muita curiosidade, pois um carro de boi transportando um sino não era uma imagem comum por aquelas bandas.
Iniciaram a viagem de volta. Repetiram no retorno as mesmas peripécias com as porteiras. Passaram por Taubaté e Pindamonhangaba e em dois dias chegaram em São Bento.

O vigário mandou fincar dois paus paralelos para pendurar o sino, a Igreja Matriz não possuía torre nessa época. No dia seguinte nem os bois escaparam aos enfeites com fitas e flores. A população veio receber o sino no carro de boi, com foguetório e alegria. O cortejo percorreu as ruas da vila e se deteve em frente da Igreja Matriz.

O carro de boi também era usado em casamentos, carnaval. Eram enfeitados com arco de bambu e flores, levava as vezes famílias inteiras. Era fabricado com madeira de lei (óleo, peroba, pereira, bico de pato, óleo vermelho) e outras madeiras muito resistentes. Chegava a transportar mais de uma tonelada de carga. O melhor do carro de boi era seu cantar choroso. Carro que não cantasse, não prestava. O carro de boi ainda é muito usado nos bairros do Cantagalo e Baú.

Automóveis

Os primeiros automóveis apareceram aqui em São Bento na segunda década do século 20.

A primeira empresa regular de transporte se instalou em 1929 e pertencia ao Sr. Octaviano Marcondes Cabral, a Auto Viação São Paulo – Minas que fazia a linha diária entre São Bento e Eugênio Lefreve.

Por causa das precárias rodovias do Vale do Paraíba, não usava-se muito o carro, que só foi mais usado quando abriu-se a estrada Campos do Jordão – São José dos Campos. Via Santo Antonio do Pinhal, a região era muito perigosa e os passageiros preferiam o bondinho, com baldeação em Eugênio Lefreve.

Os carros tinham que oferecer segurança (pessoal ou de carga), ter buzina para ser usada a cada esquina onde reduziam a velocidade máxima permitida, que era de 15 km/h, conforme Lei municipal nº 108, de 16 de janeiro de 1926.

O Sonho do Trem

Em julho de 1919, o vereador Francisco do Couto apresentou um projeto para a construção de uma linha férrea à vapor ou eletricidade, partindo desta cidade até a divisa com o município de Buquira, com ressalva dos direitos da E.F. Campos do Jordão. A referida linha deveria ficar pronta em três anos, mas o projeto não saiu do papel e os sambentistas que construíram uma estação para esperar a chegada do trem, não o viram até hoje, apesar de tantos projetos...

Correio

Antes da chegada do carro as correspondências eram feitas através de tropeiros. Em 1858 foi criado o serviço de correio e as viagens eram feitas apenas uma vez por mês a cavalo, para Pindamonhangaba.

Mais tarde, em 1940, quem fazia o serviço era um ônibus aberto, batizado de jardineira. Além do correio, a agência local possuía telégrafo de código Morse e um telegrafista que vivia na cidade para ajudar nas comunicações.

Telefone

Instalado em 1916. A Câmara autorizou a Prefeitura a fazer um empréstimo de 6:000$000 (seis contos de réis), pagos em dois anos, a juros de 12% ao ano. O centro telefônico foi instalado no dia 13 de agosto de 1938.

Rádio

Chegaram em São Bento por volta da década de 30. Era um aparelho ainda muito caro. O comerciante Luiz Marcondes Salgado a fim de atrair clientes instalou um em sua sorveteria e foi um sucesso na época!

Televisão

Chegou aqui por volta da década de 60 e o primeiro aparelho pertencia à senhora Adelaide Azevedo, a pintora, cuja a casa ficava repleta de gente para assistir a programação do aparelho. Pegava só um canal e era cheio de chuviscos. Depois foi instalada uma torre no bairro do Coimbra.

Imprensa

Desde os tempos da monarquia houve jornais na cidade de vida curta, de tempos em tempos.

O "Americano" surgiu em 6 de julho de 1876. Em 1880 "O Liberal". O "Microscópio", jornal humorístico, foi publicado 2 vezes sendo a primeira em 1883, terror dos chimagos e cascudos.

Em 1885 fundou-se "S. Bentista". Tem-se ainda uma vaga referência sobre outro chamado "Sapucahy".

Em 1910 circulou o primeiro número de "A cidade de S. Bento", fundado por Octaviano Marcondes. Contava com um seleto grupo de colaboradores como Affonso de Carvalho, Nino do Amaral, Couto de Magalhães, Tavares da Silveira e Baruel Varella, ente outros. A direção passou para o senhor Joaquim Cortez Rennó Ferreira e, retirando-se este da cidade, o jornal definhou-se. O senhor Manuel Pinto da Silva, com a ajuda de Genésio Cândido Pereira, Manuel Marcondes da Silva e outros, lutou pela vida do jornal. Apareceu então o Senhor José de Araújo e, com a ajuda de Plínio Salgado tentou salvar a "Cidade". José de Araújo mudou o nome para "Gazeta de São Bento" e em 1914 solicitou ajuda da Câmara, assumindo o compromisso de publicar gratuitamente todos os atos do Legislativo.

"O Correio de São Bento" foi fundado no dia 30 de abril de 1916, por Plínio Salgado. Em sua primeira fase vai até o ano de 1919. Volta em 1929, na segunda fase, sob a direção de Joaquim Cortez Renno, e Benedito S. Barbosa, circulando até 1930. Ainda em 1916 (ou antes, pois não há precisão nos documentos), circulavam vários jornais humorísticos, como "Estrépto", que contava com o trabalho de Zé Corisco entre outros colaboradores.

O senhor A. da Fonseca presidiu no dia 15 de setembro de 1929, o primeiro número de "O Curupira". Gerenciado pelo senhor J. Ruy Ramos.

Em março de 1932, "O Futurista" toma conta da cidade com sua irreverência.

Em janeiro de 1934 "O Moamba" apareceu, dirigido por José Souza, Custódio Azevedo, Geraldo Mendes, Sebastião Pinto e Francisco Chiaradia Neto.

"O Correio de São Bento" volta a circular em sua terceira fase em 1959, dirigido por Sérgio Pacheco Maciel,e durou alguns meses.

Boletins do Ginásio Estadual São Bento e do São Bento Social com o nome de "O Clarin" e "Psalmos" respectivamente, também tiveram vida curta, como seus antecessores.

Na década de 80, "Novo Tempo" foi um jornal de circulação regional encerrando suas atividades em 1983, por motivos políticos.

"O Coronel" era um periódico da Escola Estadual de Primeiro Grau "Coronel Ribeiro da Luz", dirigido pelo presidente da APM, Sr. Ildefonso Mendes Neto, e redigido por Antonio Júlio Crispim. Circulou em 1984 e 1985.

A "Gazeta do Sapucaí", de propriedade de Iberê Lanceloti, foi o último jornal a circular em São Bento do Sapucaí e seu tempo de vida foi curto.

Além dos jornais citados, há os comemorativos de datas importantes. Aconteceu em 1940, quando circulou, em número especial, "O correio de São Bento", comemorando o cinqüentenário da Comarca de São Bento e a escalada da Pedra do Baú, feita pela primeira vêz, por Antonio Cortez.

"Mensagem", circulou por duas vezes, e por coincidência, homenageando a mesma pessoa. Na primeira, comemorou as Bodas de Ouro sacerdotal de Monsenhor Pedro do Valle Monteiro e na segunda o seu centenário de nascimento, em 1992.

Foram também publicados "O Almanach", em 1916 e o "Album Comemorativo do Centenário da Cidade", em 1928, considerando, no caso, a criação da paróquia, em 3 de fevereiro de 1828.