Rua Pereira Alves

Rua Pereira Alves OFICIALIZADA

Através da lei nº 1887 de 05 de junho de 2017 se torna oficial a denominação da Rua Pereira Alves que se inicia a partir do entroncamento entre a Praça Marcondes Salgado e a Rua Miguel Chiaradia, terminando na rua sem saída, totalizando 400m de extensão,.

Com o desbravamento das trilhas para as regiões que produziam ouro em Minas Gerais, muitos subiram a serra e aqui se estabeleceram em vastas fazendas, onde desenvolveram a criação e o comércio de gado da região.

Nossa história tem como primeiros habitantes índios, residências provisórias dos Bandeirantes e de primeiros viajantes que aqui passavam para as Minas de Itajubá,  e aqui foram se instalando; talvez o Título de Fundador à José Pereira Álvares foi dado pelo seu excesso de orgulho, coragem em enfrentar e se destacar em meio aos combates entre as Capitanias de São Paulo e Minas Gerais e sendo intrépido/corajoso em defender e lutar pelo lado Paulista.

José Pereira Álvares, o Fundador, era originário do Rio de Janeiro e residia em Pindamonhangaba, quando tivera a ideia de adquirir terras por detrás da Mantiqueira, logo no início do Século XIX e de transportar-se, como transportou, para ali com sua família juntando-se aos primeiros sesmeiros dos contrafortes (sesmeiros distribuíam terras). Outros referências, não confirmadas através de documentos,  que o Tenente José Pereira Álvares veio para essas paragens para tomar posse das terras de São Bento do Sapucaí, mediante a ordem do Imperador do Brasil D. Pedro I.

José Pereira era conhecido como audacioso, valente, vigilante e tenaz e não se intimidou das pretensões injustas da Capitania de Minas Gerais. Lutou como se fosse nascido em terras sambentistas, na história de grandes e sangrentas lutas. Mas o poder de Camanducaia – MG não se conformava com o rico moço, desabusado e intrépido, preferia atravessar os longos pinheirais e altas lombas do Embahu, ou embrenhar-se nos matagais cerrados perto do posto de registro mineiro, com risco de uma bala fiscal o atingisse, dar a volta de mais dois quilômetros para alcançar Bom Sucesso (Pindamonhangaba), desvio esse para não pagar impostos aos mineiros e que implicitamente reconhecer a competência e os direitos dos confiantes sobre domínios paulista; por isso referiam-se a ele como “Extraviador”. Eram grandes os seus predomínios moral sobre parentes, amigos e moradores da região do Sapucahy. E crescia a ojeriza dos mineiros pela influência social do abastado proprietário de muitas terras em São Bento do Sapucaí.

José Pereira Alves herdou o espírito de seus antepassados, e interpretando os sentimentos dos moradores de São Bento e doou terras para se construir uma capela. Trouxe o Padre Luiz Justino Columbreiro, Vigário de Pindamonhangaba, onde acha-se hoje, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

No alvorecer do dia 13 de dezembro de 1818, foi a benção do local, ergue-se uma cruz e uma bandeira com os dizeres: Nossa Senhora Mães dos Homens, comovei os maus corações.  Tão logo os mineiros souberam da celebração, vieram para cá e tentaram prender o Padre Columbreiro, e arrancaram a cruz e a bandeira e levaram como troféus conquistados, frustrando assim os planos de José Pereira Alves, e toda população.

Mas Pereira Alves não se deu vencido e mandou que iniciassem a construção da capela, em março de 1822, mas teve que suspender o trabalho para manter a paz e o sossego com os conflitantes mineiros, e não se sabe quando a pequena Capela ficou pronta.

Serenados os ânimos, Pereira Alves e sua esposa D. Ignês Leite de Toledo, doaram uma grande extensão de terra, as margens direita do Rio Sapucaí, para ser erguida uma capela em louvor a São Bento, terreno esse que ficava no Morro das Palmeiras, onde se encontra a Igreja Matriz. 

Sua propriedade em São Bento, tudo indica que era na parte superior da cidade, afastado das enchentes do Rio Sapucahy-Mirim, nos arredores do Morro das Palmeiras (hoje, Morro do Cruzeiro a Rua XV de Novembro, Praça da Matriz), sustentando um opulento pomar. 

O Desembargador Affonso de Carvalho conta: Em sua grandiosa festa de aniversário de um de seus familiares, com convidados de toda região; aconteceu que, em meio aos brindes e músicas, havendo-se os senhores convidados conversando sobre o assunto predileto da época da moeda de prata, que era a supremacia de uns sobre os outros na abundância de riquezas e domínios territoriais, José Pereira Álvares, entre risonho e sério, entediado quem sabe pela vaidade, mostrando orgulho demais e arrogância, lançou aos convidados:-“ Tudo isso é muito  bonito, senhores convidados mas eu desconfio que, com toda essa prosa, vocês estão aqui na comemoração sem um vintém, com suas algibeiras complemente vazias”. 

De todos os lados partiram protestos acompanhados de movimentos  instintivos  em meter a mão nos bolsos e dali arrancar o dinheiro que confundisse o interesseiro, José Pereira Álvares e com desdém, atirou um desafio: - “Pois eu dou esta casa, com todos os seus pertences e benfeitorias, aquele de vocês que, sem arredar o pé daqui e sem pedir auxílio de ninguém, pagar o preço insignificante, que é quanto peço, de Quatrocentos Mil Réis (moeda utilizada por 109 anos de  8 de outubro de 1833 a 31 de outubro de1942) por tudo isto!”. E, fez um gesto que abrangia todo o quarteirão. – “ - Uma pechincha !”  Houve, entretanto, um silêncio após a provocação, pois decerto ninguém se lembrará de trazer dinheiro para uma festa.

 Mas, decorrido um momento, viu-se um dos convidados, o Senhor Manoel dos Santos César, genro de Fabiano Vieira do Prado, curvar-se um pouco para frente, afim de melhor enxergar o chefe, e pergunta-lhe, a voz melosa:

 - “Isto  é Sério ?”  - Respondeu José Pereira Álvares: - “Como não ?” Com muita calma, Sr. Manoel puxou  da algibeira um grande maço de notas do Banco, depositou-o sobre a mesa e disse: - “Pois então conte lá o seu dinheiro, e passe-me para cá a propriedade”. Um trovão de aplausos celebrou a vitória; e, entre risos e novos brindes cantantes, festejou-se a pepineira. A escritura pública lavrada alguns dias depois nada mais fez legalizar um contrato indestrutível e firme como a Pedra do Bahú.

Conta-se que depois de ter vendido à suas terras, por uma bagatela, devido a um rompante de muito orgulho e arrogância junto aos fazendeiros da região, voltou ao Rio de Janeiro onde faleceu em data não conhecida.

Nota: em alguns documentos antigos  o nome do Fundador consta como José Pereira Álvares e outros se referem como José Pereira Alves.

Fonte: Dados da Câmara

Pesquisa de dados históricos de São Bento do Sapucaí – Maria de Fátima Machado (AUTORIZADO PARA PUBLICAÇÃO)